Polónia ‘fecha a torneira’: Governo decide cortar para metade financiamento aos refugiados ucranianos

Quem permanecer na Polónia por mais de 120 dias e a viver em instalações de alojamento comum terão de pagar até um limite de 40 zlotys (8,5 euros) por dia

Francisco Laranjeira

Desde 1 de março último, os refugiados ucranianos na Polónia estão obrigados a cobrir metade dos seus custos de acomodação – quem permanecer na Polónia por mais de 120 dias e a viver em instalações de alojamento comum terão de pagar até um limite de 40 zlotys (8,5 euros) por dia. Comissão Europeia negou ter sido notificada.

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Os grupos vulneráveis, incluindo crianças, reformados, mulheres grávidas, pais solteiros, pais com filhos menores de 12 anos e pessoas em situação financeira particularmente difícil, estão isentos.

Já os refugiados que permanecerem na Polónia por mais de 180 dias terão de cobrir 75% dos seus custos de acomodação a partir de maio, a uma razão de 12,73 euros diários.

A Polónia recebeu cerca de 500 mil refugiados ucranianos desde o início do conflito na Ucrânia, em fevereiro de 2022, e forneceu-lhe instalações de habitação comuns, incluindo alimentação: para os 80 mil que ainda se encontram no país, o Governo polaco apontou que não pode financiar mais a sua estadia.

Os refugiados beneficiam de outras regalias financeiras do Estado, incluindo transporte público gratuito e cuidados de saúde, assim como diversos benefícios sociais à semelhança dos cidadãos polacos, nos quais está garantido um subsídio mensal para crianças até 107 euros, que não serão afetados.

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Em 2022, a Polónia gastou cerca de 8,36 mil milhões de euros com os refugiados ucranianos, de acordo com dados do ‘Migration Outlook for 2022’, da OCDE. Por ter recebido o maior número de refugiados, a Polónia recebeu 123 milhões de euros ao abrigo do Fundo de Asilo, Migração e Integração (AMIF).

No âmbito do evento ‘Stand Up for Ukraine’, que arrecadou 9,1 mil milhões de euros, “a Polónia recebeu 200 milhões de euros para fornecer assistência inicial (alimentação, transporte e alojamento temporário) aos que fogem da guerra na Ucrânia, para aumentar a capacidade na gestão das fronteiras externas bem como preencher a lacuna entre a primeira recepção e a integração precoce de pessoas deslocadas da Ucrânia”, indicou a Comissão Europeia.

A mudança de política é justificada pelo Governo, que sustentou que a ajuda ideal para os refugiados não deveria durar mais do que um ano – prestar assistência iria desmotivá-los e dificultaria o seu regresso ao mercado de trabalho. “Não é do interesse de ninguém (…) privar ninguém de um teto sobre a sua cabeça. Esses regulamentos são de caráter motivacional”, apontou Paweł Szefernaker, vice-ministro do Interior e responsável do governo para os Refugiados de Guerra, citado pela Agência de Imprensa Polonesa (PAP).

Ainda assim, a Comissão está a par da adoção da nova lei e está em contacto com as autoridades polacas sobre este assunto. “A Comissão está a monitorizar de perto a situação na Polónia e está em contacto regular com as autoridades locais sobre a implementação prática da Diretiva de Proteção Temporária para garantir que salvaguardas relevantes sejam implementadas em relação à acomodação de pessoas deslocadas sob proteção temporária”, acrescentou o porta-voz da Comissão, citado pelo site ‘Euroactiv’.

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