Político ??? Nunca !

Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

 

Bem sei que não podemos dizer “desta água não beberei”, mas acho que neste tema estou quase certo. Não tenho essa ambição, sou um homem realizado com a minha actividade profissional ( fácil de entender o propósito pois na indústria farmacêutica salvamos vidas) e extra profissional (associativa e de responsabilidade social que contribui para a sociedade de forma activa e positiva). Ou seja tudo o que a função política e de poder, deve conter no seu propósito e missão, a meu ver. Com algumas diferenças relevantes que afastam algumas pessoas de valor desta actividade. E não pretendo com isto dizer que todos os políticos são fantásticos, têm espírito de missão, são felizes a contribuir para construir uma sociedade melhor e tocar na vida dos cidadãos de forma positiva. Não! Há bons, maus e mais ou menos. Há políticos com espírito de missão, mas também há os que não têm competência para fazer mais nada (os ditos tachistas)e há os interesseiros. O que é facto é que Portugal trata mal alguns bons políticos e ser político em Portugal afasta muitos bons potenciais candidatos que poderiam fazer um trabalho único (não eu certamente), mas não querem nem ouvir falar dessa possibilidade. Cidadãos com experiência, conhecimentos, capazes e livres para tomar excelentes decisões. E se não quiserem continuar a ser políticos, podem facilmente continuar a sua vida fora da mesma, não dependente da política e com sucesso.

E porquê? Julgo que o factor maior é que na maioria dos casos, os “boys” ocupam os lugares e os partidos nem podem (ou conseguem) pensar fora da caixa. Depois porque mesmo os que querem pensar fora da caixa, não conseguem atrair as pessoas de valor. Por motivos vários:

  • Incapacidade de realmente decidir devido à cultura portuguesa, mas também pelas limitações legais e Administrativas,
  • Mesmo decidindo, a incapacidade de fazer a administração pública implementar as decisões, pela burocracia mas também pela ineficiência desta; não se tornando apenas num “corta fitas”,
  • Incapacidade de escolher a equipa de forma livre, sem ter que colocar os “boys” no modelo,
  • Remunerações baixas comparadas com o sector privado e as decisões de responsabilidade de milhões que tomam,
  • Mau escrutínio de alguma imprensa que em lugar de investigar o político, gosta mais de investigar a pessoa ou o cidadão,
  • Um estilo de vida sem planificação, sem horários, em que se gere o dia-a-dia e as crises que as notícias de imprensa provocam,
  • Risco de rótulo político-partidário mesmo para aqueles que são ideologicamente livres,
  • Teias familiares dentro dos partidos com interesses de funções governamentais ou administrativas interligadas que se criam.

Entre muitos outros motivos que existem. E a classe política, assim como os professores que educam os futuros cidadãos e os profissionais de saúde que tratam da sua saúde e seu bem estar, deveriam ser melhor tratados (certamente estou a esquecer outras profissões fundamentais, portanto agradeço que me desculpem). Não todos os políticos, apenas aqueles que sentem a missão da política e a responsabilidade que isso acarreta. Por isso mesmo vemos a mediania e até alguma mediocridade na classe política, em todos os partidos, pois o “carreirista partidário” e os motivos atrás referidos, provocam isso mesmo. Escondidos atrás do partido conseguem “sobreviver” sem sequer saibamos quem são (por isso os círculos uninominais podiam ser uma boa opção política). Mas como disse, não generalizo, pois conheço políticos de elevado valor em Portugal, alguns até que deixaram a sua vida privada (mais confortável, melhor paga e tranquila), para assumirem a “res pública”. Mas não é a generalidade e deveria ser. Só assim Portugal pode almejar a ser um país onde queremos viver.

Por tudo isto ser político em Portugal, nunca!!!

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