Desde que começou 2023 já se contam cinco casos de agentes da PSP que cometeram suicídio, sendo que dois ocorreram entre o fim de semana e esta segunda-feira.
Os casos, relatados pelo Correio da Manhã estão a preocupar os responsáveis das autoridades, bem como os sindicatos das forças de segurança, que exigem medidas por parte da tutela.
“Governo e poder político têm responsabilidade de perceber o que está a acontecer, não basta ter um gabinete de psicologia, não basta ter psicólogos. Tem de haver um trabalho mais exaustivo do ponto de vista do acompanhamento e sinalização. E temos de criar mecanismos que não ponham as pessoas a trabalhar muitas horas, que haja distúrbios de sono, que haja problemas de saúde, que haja uma perspetiva disciplinar e um escrutínio perante tudo o que os polícias fazem. Tem de ser assumido como responsabilizado e não secundarizado”, aponta Paulo Santos, presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP).
O responsável diz que a estrutura sindical tem tido uma intervenção neste problema, “sempre assente numa responsabilidade e na seriedade”, e define algumas ligações entre o fenómeno e fracas condições de trabalho.
Recorde-se que, em todo o ano de 2022 cinco militares da GNR puseram termo à vida. O número é igual ao de polícias que, em apenas três meses de 2023, cometeram suicídio.
“Não podemos estar a dizer que a morte ou o suicídio cometido têm implícito o facto de ter fracas condições de trabalho. Mas sabemos que há ligações, parece que é evidente”, explica Paulo Santos, exemplificando com possíveis causas como o ‘burnout’, “o desamparo familiar e na área da habitação” e as exigências feitas aos profissionais de segurança que “contribuem para agravar o fenómeno” do suicídios entre polícias.







