Polícia ucraniana desmantela extensa rede de abuso sexual infantil que envolve crianças russas

Suspeito foi colocado em prisão domiciliar pelos juízes e aguarda um veredicto: se for considerado culpado, pode ser condenado até 5 anos de prisão

Francisco Laranjeira

A polícia ucraniana descobriu uma extensa rede de abuso sexual infantil, que envolve dezenas de crianças russas cujas imagens e vídeos terão sido comercializados dentro e fora do país, revelou esta quinta-feira o jornal britânico ‘The Guardian’ – mas é impossível levar o caso adiante por causa da invasão russa da Ucrânia.

Houve um homem ucraniano detido e identificadas 15 crianças russas, atualmente residentes na Rússia, mas os responsáveis ucranianos da região de Kiev referiram que não são capazes de rastrear outras vítimas ou prender outros suspeitos devido à quebra das relações entre a Rússia e a Ucrânia. “Infelizmente, esses tipos de crimes são comuns em todos os lugares, na Ucrânia e na Europa”, explicou Oleh Tkalenko, promotor sénior da região de Kiev, que liderou a investigação. “Mas o que nos aterroriza é a grande escala desses crimes na Rússia.”

“As vítimas desses crimes estão nos segmentos mais vulneráveis ​​da população”, explicou o promotor. “Os pais que forçam os seus filhos a fazer isso são extremamente pobres. E é muito difícil impedir que esses arquivos se espalhem. E é realmente frustrante porque, devido ao conflito, todos os nossos contactos com colegas russos foram cortados.”

A investigação começou em junho, quando a unidade de crimes cibernéticos da polícia ucraniana recebeu informações de que um grande número de imagens de abuso sexual infantil estava a ser alvo de download na região de Kiev. Um mês depois, as autoridades revistaram uma casa em Bucha, onde foram encontrados mais de 100 mil imagens e vídeos de abuso sexual infantil. “Tentámos identificar as crianças e vítimas desses crimes que estavam envolvidas na rede”, frisou Tkalenko. “Ficámos chocados quando descobrimos que eram todos cidadãos russos. Identificámos 15 deles até agora mas estamos a falar de dezenas de crianças envolvidas.”

Algumas das vítimas tinham apenas 9 anos e são provenientes de várias áreas da Rússia, incluindo Moscovo, Kaliningrado e Krasnodar.

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O suspeito foi colocado em prisão domiciliar pelos juízes e aguarda um veredicto: se for considerado culpado, pode ser condenado até 5 anos de prisão.

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