A segurança da família real britânica voltou a ser motivo de preocupação, com a divulgação de um relatório da Polícia Metropolitana de Londres que identifica quase 500 indivíduos classificados como potenciais ameaças. O documento, elaborado pela unidade de Proteção da Realeza, revela que 35 destas pessoas são consideradas de alto risco, um número que quase quadruplicou nos últimos três anos.
Esta informação surge numa altura sensível para a monarquia britânica, marcada por preocupações com o estado de saúde do rei Carlos III, que foi recentemente hospitalizado para a realização de novos exames médicos.
Segundo o relatório policial citado pelo jornal The Mirror, foram identificados 480 indivíduos com comportamentos que levantam suspeitas de obsessão ou hostilidade para com a família real. Destes, 35 foram classificados como ameaças de “alto risco”, em comparação com apenas 9 em 2020. Em termos gerais, o número de casos passou de 433 para 480 no mesmo período, refletindo uma tendência crescente que preocupa os serviços de segurança britânicos.
Dai Davies, antigo chefe do Comando de Proteção Real da Polícia Metropolitana, reconheceu os desafios crescentes. “Lamentavelmente, existirão sempre indivíduos perturbados que desejam fazer mal à família real. O desafio para a polícia é identificar quais deles têm os recursos e a vontade de executar os seus planos”, afirmou ao The Mirror.
O ex-responsável destacou ainda que os números revelados representam apenas os casos conhecidos. “Estes são apenas aqueles que chegaram ao conhecimento das autoridades. Pode haver muitos mais à espreita nas sombras. É impossível que a polícia tenha a certeza absoluta de conseguir eliminar todas as ameaças potenciais contra a família real”, alertou Davies.
O relatório surge após vários episódios que evidenciam falhas de segurança em residências reais. Em novembro passado, um grupo de indivíduos encapuzados conseguiu aceder ao perímetro do Castelo de Windsor enquanto o príncipe William, a princesa Kate e os seus três filhos – George, Charlotte e Louis – dormiam no interior. Apesar de o incidente não ter tido consequências graves, expôs fragilidades preocupantes.
Mais alarmante foi o episódio ocorrido no Natal de 2021, quando um homem armado com uma besta escalou os muros do mesmo castelo com o objetivo declarado de “matar a rainha” Isabel II. Nesse mesmo ano, outra brecha na segurança permitiu a entrada de uma mulher no Royal Lodge, residência do príncipe André, após se ter feito passar pela sua noiva.
Estes casos, aliados ao crescente número de indivíduos sob vigilância, contribuem para um clima de alerta contínuo em torno da proteção da família real. A polícia britânica continua a reforçar as suas capacidades de monitorização, mas, como sublinha Dai Davies, a ameaça nunca pode ser completamente eliminada.










