Um artista de Hong Kong tentou homenagear as vítimas da repressão de 1989 na Praça de Tiananmen, mas foi detido de imediato pela polícia do território semiautónomo, noticiou a agência norte-americana Associated Press (AP).
Na quarta-feira, Chen Sanmu tentou amarrar um fio vermelho simbólico a um poste de sinalização em Causeway Bay, um movimentado bairro comercial próximo de um parque que, durante décadas, acolheu uma vigília anual à luz de velas, no dia 04 de junho, para homenagear as vítimas da repressão que pôs fim aos protestos liderados por estudantes em Pequim em 1989.
Chen disse que o fio tinha 6,4 metros de comprimento, numa aparente referência à data de 04 de junho.
Os agentes da polícia pararam Chen e revistaram a mala antes de o deixarem prosseguir. Quando questionado por um repórter sobre o gesto com o fio vermelho após a libertação, Chen disse que o objetivo era expressar as condolências pelos mortos.
“É anormal que as pessoas te vigiem quando estás a dizer ou a fazer algo”, declarou aos repórteres Chen, detido pelo menos duas vezes nos anos mais recentes.
Na noite de quarta-feira, outra artista, Chan Mei-tung, que se encontrava em frente a uma zona comercial, segurava um balão em forma de ponto de interrogação, quando foi parada pela polícia, que a acompanhou de volta à estação de metro.
De acordo com a AP, a polícia não comentou até ao momento as ações de quarta-feira.
Hoje faz 37 anos que o exército chinês avançou com tanques para dispersar protestos pacíficos liderados por estudantes, que pediam reformas democráticas para o país, causando um número de mortos que ainda hoje é objeto de discussão.
Estimativas chegam às dez mil vítimas, embora Pequim defenda que a repressão dos “tumultos contrarrevolucionários” tenha levado à morte de duas centenas de civis.
Durante três décadas, Hong Kong e Macau foram os únicos locais em solo chinês onde o 04 de junho em Pequim foi lembrado de forma pacífica, com vigílias anuais que, no caso de Hong Kong, reuniam dezenas de milhares de cidadãos.
A Polícia de Segurança Pública de Macau disse à Lusa não ter sido notificada sobre a organização de reuniões ou manifestações para hoje.
“Até ao momento, esta Corporação não recebeu qualquer aviso prévio de realização de manifestação ou reunião em 04 de Junho”, respondeu, na segunda-feira à noite por e-mail, a PSP de Macau que, por lei, tem de ser notificada da organização de qualquer protesto ou vigília no espaço público.
Em 2020, as autoridades proibiram, em Macau e Hong Kong, pela primeira vez em 30 anos, a realização da vigília em espaço público, numa decisão justificada com os trabalhos de prevenção da covid-19.
Já no ano seguinte, a PSP Macau citou pela primeira vez razões políticas para interditar a comemoração, alegando risco de violações do Código Penal, nomeadamente dos artigos sobre a “ofensa a pessoa coletiva que exerça autoridade pública” e o “incitamento à alteração violenta do sistema estabelecido”.
Uma decisão validada posteriormente pelo Tribunal de Última Instância, quando apresentado recurso da decisão das autoridades.



