“Podiam ter levado mais”: mentor do roubo do século no Louvre achou pouco um saque de 88 milhões

O roubo ocorreu em 19 de outubro de 2025 e ficou concluído em menos de oito minutos

Francisco Laranjeira

O alegado mentor do assalto milionário ao Museu do Louvre terá considerado insuficiente o número de joias roubadas e censurado os autores materiais do golpe por não terem levado mais peças, revelam transcrições dos interrogatórios conduzidos pelas autoridades francesas.

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O roubo ocorreu em 19 de outubro de 2025 e ficou concluído em menos de oito minutos. O grupo entrou na Galeria de Apolo, no museu parisiense, e conseguiu retirar oito joias da Coroa francesa, avaliadas em cerca de 88 milhões de euros. Uma nona peça, a coroa da imperatriz Eugénia, caiu durante a fuga e foi encontrada danificada nas proximidades.

Segundo o ’20 Minutos’, que cita informações divulgadas pelo ‘The Guardian’ e pelo ‘Le Monde’, dois dos suspeitos, identificados como Abdoulaye N. e Ghelamallah A., afirmaram ter sido recrutados apenas dois ou três dias antes do assalto por um cliente cuja identidade recusam revelar.

Os homens terão recebido previamente um vídeo gravado no interior da galeria, que lhes permitiu reconhecer as vitrinas onde estavam expostas as joias associadas à família de Napoleão. A missão consistia em partir os vidros de proteção e retirar o maior número possível de peças num espaço de poucos minutos.

Os assaltantes chegaram ao Louvre num veículo equipado com uma plataforma elevatória, alcançaram uma varanda no primeiro andar e forçaram uma janela. Já no interior, utilizaram ferramentas elétricas para abrir as vitrinas e fugiram posteriormente em motas.

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Abdoulaye N. admitiu ter deixado cair a coroa cravejada de pedras preciosas que pertencera à imperatriz Eugénia, mulher de Napoleão III. Ao ser confrontado pelos investigadores com uma fotografia da peça danificada, terá reconhecido a gravidade do que aconteceu.

O suspeito contou ainda que, depois de entregar as joias ao alegado organizador, este não ficou satisfeito com o resultado e afirmou que o grupo poderia ter roubado mais. Os investigadores franceses ainda não conseguiram confirmar, porém, a existência do suposto mentor nem se os autores agiram realmente por ordem de terceiros.

Abdoulaye N. alegou ter aceitado participar devido às dificuldades financeiras e disse que lhe foram prometidos entre 15 mil e 20 mil euros, além de uma eventual percentagem sobre o valor obtido com a venda das joias. Ghelamallah A., por sua vez, afirmou que julgava estar a preparar um assalto a uma joalharia e que desconhecia que o alvo era o Louvre.

Os dois suspeitos recusaram identificar o alegado mandante ou possíveis cúmplices, justificando o silêncio com receios de represálias contra si e contra as respetivas famílias. Um deles declarou que as pessoas envolvidas “não são santas”, enquanto o outro afirmou ter recebido telefonemas na prisão a ordenar-lhe que não falasse.

O paradeiro das joias continua desconhecido. Os investigadores admitem a possibilidade de as peças terem sido entregues a uma rede internacional, mas receiam também que já tenham sido desmontadas e que as pedras preciosas estejam a ser vendidas separadamente.

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O assalto expôs graves falhas de segurança no museu mais visitado do mundo. Uma auditoria posterior revelou que apenas 39% das salas dispunham de videovigilância, enquanto várias melhorias recomendadas há anos continuavam por executar.

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