Poderá a Apple ter o mesmo destino da Nokia? Dona do iPhone pode não conseguir reverter o declínio

Um ano depois de ter surpreendido o mercado com a apresentação da sua estratégia de inteligência artificial, a Apple vive agora um dos momentos mais críticos da era Tim Cook. Se em 2024 a promessa de uma Siri turbinada levou as ações da empresa a disparar 200 mil milhões de dólares num só dia, hoje o entusiasmo deu lugar a receios profundos sobre o futuro da gigante tecnológica.

Executive Digest
Junho 22, 2025
20:00

Um ano depois de ter surpreendido o mercado com a apresentação da sua estratégia de inteligência artificial, a Apple vive agora um dos momentos mais críticos da era Tim Cook. Se em 2024 a promessa de uma Siri turbinada levou as ações da empresa a disparar 200 mil milhões de dólares num só dia, hoje o entusiasmo deu lugar a receios profundos sobre o futuro da gigante tecnológica.

O prometido avanço da Siri foi adiado indefinidamente, e os rivais, como o Gemini da Google, ultrapassaram a Apple no domínio da IA generativa. Além disso, os efeitos da guerra comercial liderada pelo presidente norte-americano Donald Trump tornaram mais visíveis as fragilidades da Apple na China, ao mesmo tempo que o negócio de serviços enfrenta riscos legais e regulatórios nos Estados Unidos e na Europa.

As ações da Apple caíram quase 20% este ano, ficando atrás de outros gigantes tecnológicos como a Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft.

Mas o paralelo mais preocupante é traçado por Patrick McGee no livro Apple in China, onde se compara Tim Cook a Jack Welch, ex-CEO da General Electric, cuja gestão, apesar dos lucros astronómicos, acabou por não evitar a queda da empresa. A dúvida que agora se impõe é se a Apple poderá seguir o mesmo caminho de declínio de marcas como a Nokia — gigante dos telemóveis no passado, ultrapassada precisamente pela Apple.

Na apresentação mais recente na Conferência Mundial de Desenvolvedores, a empresa fez poucos anúncios relevantes. A maior novidade foi a nova interface “Liquid Glass” para os seus sistemas operativos, ficando aquém das expectativas em matéria de inteligência artificial.

Especialistas apontam que a Apple parece hesitar numa nova estratégia de hardware, enquanto os concorrentes apostam forte em óculos inteligentes com IA, revela o ‘The Economist’. Até a OpenAI, criadora do ChatGPT, avançou com a aquisição de uma startup fundada por Jony Ive, ex-designer da Apple, para desenvolver um novo dispositivo com IA — um sinal de que a Apple poderá estar a perder o seu tradicional protagonismo em inovação.

Internamente, a Apple mantém o foco numa abordagem cautelosa e centrada na privacidade dos utilizadores, o que dificulta o desenvolvimento de modelos de IA personalizados e limita o uso da cloud — um contraste com a estratégia mais ousada dos seus concorrentes. A empresa poderá introduzir um iPhone dobrável em 2026 e apostar no sucesso do headset Vision Pro como eventual porta de entrada para os óculos inteligentes, caso estes se popularizem.

Contudo, pairam incertezas sobre os pilares financeiros da Apple. Está em risco o pagamento de cerca de 20 mil milhões de dólares por parte da Google para manter o seu motor de busca como padrão nos dispositivos Apple — um valor que representa uma fatia importante da receita anual de serviços da empresa, que ascendeu a 96 mil milhões de dólares em 2024. Também o modelo da App Store enfrenta desafios legais com potenciais impactos de até 31 mil milhões de dólares, devido a decisões judiciais e novas regras na Europa.

 

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