António Comprido, secretário-geral da Apetro (Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas), alertou esta sexta-feira, em entrevista ao ‘Diário de Notícias’, que poderá faltar o gasóleo na Europa num futuro próximo se não forem encontradas soluções. “Uma análise da Agência Internacional de Energia que diz que vamos ter problemas de falta de gasóleo. Muita gente questiona-se porque é que o gasóleo está mais caro do que a gasolina mas a explicação é simples: a Europa dependia muito da Rússia. Se houver restrições adicionais, como parece que vai haver, não podemos esquecer que antes da guerra a Rússia era responsável por mais de 40% do gasóleo consumido na Europa. Portanto, se queremos passar a zero, isso significa uns milhões de barris por dia que têm de se ir buscar a outros mercados e pode não estar disponível”, indicou o responsável, reforçando:
“A questão é que as cadeias de abastecimento se vão tornar mais longas, eventualmente mais caras, com mais intervenientes no processo e, portanto, a tendência será para uma pressão nos preços, principalmente do gasóleo. Não tenho a mínima dúvida disto, até porque vem o inverno e, como sabemos, é um período em que o consumo de gasóleo aumenta bastante para aquecimento.”
O imposto sobre os lucros excessivos das empresas do sector energética é uma medida que pode avançar em diversos países da União Europeia e, para António Comprido, há abertura das empresas para negociar.
“Acho que o sector está preparado mas ninguém gosta muito de pagar mais impostos. Compreendemos que vivemos uma situação excecional. Não nos parece que seja remédio para ser usado sistematicamente mas nesta situação excecional a indústria compreende e está disponível para colaborar. No entanto, é preciso definir o que são lucros extraordinários, porque isto está uma grande confusão. Ficamos logo preocupados quando a proposta diz que a base de comparação é o triénio 2019-2021, ou seja, a altura da pandemia em que os lucros das empresas foram muito abaixo. Se estamos a tomar isso como base e vamos taxar 2022 comparado com esse período, isso vai ter de ser negociado. Portanto, sim a indústria está disponível e percebe que pode ter de haver medidas excecionais. No entanto, só pede que isso seja feito em diálogo, no sentido de evitar que se criem situações que minem a competitividade da indústria e a sua capacidade de continuar a investir na transição energética”, referiu.
A Europa pode mesmo vir a enfrentar um racionamento da energia no inverno, indicou o responsável da Apetro. “Se calhar, em vez de dizermos que temos de cortar 20% ou 30% das horas de ponta, temos de pensar como é que podemos adaptar-nos às novas circunstâncias e evitar chegar ao racionamento. Se as medidas voluntárias e de adaptação da sociedade não forem suficientes, é provável que o poder político tenha de chegar à fase do racionamento. Gostaria que isso não acontecesse, mas nada nos garante que não possa vir a acontecer.”













