Podem os novos medicamentos ditar o fim da obesidade? Efeitos a longo prazo (ainda) não são conhecidos mas entusiasmo é justificado

Com apenas um comprimido por semana é possível reduzir o valor na balança desça, sem muito esforço físico, segundo os relatos de quem já o toma.

Beatriz Maio

A nova classe de medicamentos, chamados agonistas receptores de GLP-1, está a revolucionar a perda de peso. Com apenas um comprimido por semana é possível reduzir o valor na balança desça, sem muito esforço físico, segundo os relatos de quem já o toma.

Várias celebridades e criadores de conteúdos online em todo o mundo têm partilhado as suas experiências com este novo medicamento, entre eles está o dono do Twitter e CEO da Tesla Elon Musk. Não apenas por uma questão estética, mas para melhorar a saúde que é posta em risco pelo peso excessivo, há quem opte por esta solução, dado que os tratamentos para a perda de peso são, na sua maioria, ineficazes e alguns até duvidosos.

O medicamento Semaglutide, desenvolvido pela empresa farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, demonstrou ser possível uma perda de peso de cerca de 15%, em ensaios clínicos, avança o jornal La Vanguardia. De momento, está já a ser vendido sob a marca Wegovy nos Estados Unidos da América (EUA), Dinamarca e Noruega e, em breve, estará também disponível noutros países. Há ainda outro fármaco a ser utilizado para este efeito, uma versão de dose mais baixa apelidada de Ozempic, normalmente recomendado para pacientes com diabetes.

No final deste ano, estará também à venda um medicamento GLP-1 rival, fabricado pela empresa americana Eli Lilly, que é ainda mais eficaz, informam com os analistas que acreditam que o mercado dos GLP-1 pode atingir 150 mil milhões de dólares até 2031, ficando assim perto do atual associado a medicamentos contra o cancro.

Em 2020, cerca de dois quintos da população mundial apresentava excesso de peso ou obesidade, prevendo-se que em 2035 esse número aumente para mais de metade da população, o que representa quatro mil milhões de pessoas, de acordo com a Organização não governamental (ONG) World Obesity Federation.

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Os países onde se regista um aumento de pessoas com excesso de peso não no Ocidente, mas em países como o Egito, México e Arábia Saudita, tendências alarmantes, dado que a obesidade causa diversos problemas de saúde, incluindo diabetes, doenças cardíacas e hipertensão e doenças tais como AVC e vários cancros.

O excesso de peso tem também implicações quanto às probabilidades de morrer de Covid-19, aumentando as hipóteses. A obesidade tem consequências a diversos níveis, podendo atingir um custo anual para a economia global de 4 biliões de dólares até 2035 (2,9% do PIB global, contra 2,2% em 2019), relata uma modelação feita por investigadores universitários. De referir que este valor inclui tanto as despesas de saúde como o tempo de trabalho perdido devido a doenças relacionadas com a obesidade e morte prematura.

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