Podem as novas vacinas ser melhores no combate às diferentes variantes do coronavírus? 5 perguntas e respostas

As vacinas contra a SARS-CoV-2 podem ser divididas em quatro classes: vírus inteiro, vetor viral, baseado em proteínas e vacina de ácido nucleico

Francisco Laranjeira

As três primeiras vacinas contra o coronavírus ganharam autorização de uso de emergência, nos Estados Unidos, há mais de um ano. Até ao momento, nenhuma outra vacina foi colocada em uso – mas isso vai mudar em breve. Mais de 40 vacinas estão a passar por testes clínicos nos Estados Unidos, que empregam várias abordagens diferentes para proteger as pessoas da Covid-19. Os investigadores Vaibhav Upadhyay e Krishna Mallela têm estudado a proteína spike do coronavírus desde o início da pandemia e estão a desenvolver terapias para travar a pandemia – e responderam às questões sobre o que o futuro reserva.

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1. Por que motivo as empresas ainda estão a trabalhar em novas vacinas?

Uma das principais razões pelas quais as novas vacinas são importantes é o aparecimento contínuo de novas variantes. A maioria das diferenças entre as variantes são as alterações na proteína spike, que está na superfície do vírus e o ajuda a entrar e infetar as células. Algumas dessas pequenas mudanças na proteína spike permitiram que o coronavírus infete as células humanas com mais eficiência – essas mudanças também fazem com que as vacinas ou infeções anteriores com a Covid-19 fornecem menos proteção contra as novas variantes. As vacinas mais recentes, atualizadas, podem ser melhores na deteção dessas diferentes proteínas spike e mais eficazes na proteção contra novas variantes.

2. Que tipos de vacinas estão em andamento?

Até agora, 38 vacinas foram aprovadas em todo o mundo – nos EUA, foram aprovadas três. Existem atualmente 195 vacinas candidatas em diferentes estágios de desenvolvimento em todo o mundo, das quais 41 estão em ensaios clínicos nos EUA. As vacinas contra a SARS-CoV-2 podem ser divididas em quatro classes: vírus inteiro, vetor viral, baseado em proteínas e vacina de ácido nucleico.

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As vacinas de vírus inteiro geram imunidade através de um vírus SARS-CoV-2 completo, embora enfraquecido – chamado inativado ou atenuado. Atualmente, existem duas dessas vacinas em ensaios clínicos nos EUA. As vacinas de vetores virais são uma variação dessa abordagem – em vez de usar todo o coronavírus, usam uma versão modificada de um adenovírus inofensivo que carrega parte da proteína spike do coronavírus. A vacina Johnson & Johnson é uma vacina de vetor viral e há mais 15 candidatos nesta categoria em ensaios clínicos nos EUA.

As vacinas baseadas em proteínas usam apenas a proteína spike ou parte da proteína spike para gerar imunidade. Como a proteína spike é uma das partes funcionalmente mais importantes do coronavírus, uma resposta imune que visa apenas essa parte é suficiente para prevenir ou superar uma infeção. Atualmente, os EUA têm cinco vacinas à base de proteínas em testes clínicos.

As vacinas à base de ácido nucleico são atualmente as mais usadas nos EUA. São feitas de material genético, como ADN ou RNA, que codifica a proteína spike do coronavírus. Quando uma pessoa a recebe, o seu corpo lê o material genético e produz a proteína spike, o que gera uma resposta imune. Existem 17 vacinas de RNA e duas de ADN em testes clínicos nos EUA.

3. As novas vacinas serão melhores do que as existentes?

As vacinas Moderna, Pfizer e J&J são baseadas na variante original do coronavírus e são menos potentes diante de novas estirpes. As vacinas baseadas em novas variantes forneceriam melhor proteção do que as vacinas existentes e algumas estão em desenvolvimento. As vacinas à base de ácido nucleico são as mais fáceis de atualizar e compõem a maioria das vacinas direcionadas às variantes. A Moderna já produziu uma vacina que contém mRNA das variantes Beta e Ómicron e dados clínicos publicados recentemente provam que é mais eficaz contra variantes mais recentes do que a vacina original da Moderna.

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Embora a atualização das vacinas de ácido nucleico seja importante, algumas pesquisas sugerem que vacinas de vetor viral ou vírus inteiro podem ser mais eficazes contra novas variantes – sem a necessidade de atualização.

4. Quais são as vantagens das vacinas de vírus inteiros?

As vacinas à base de ácido nucleico e à base de proteínas usam apenas a proteína spike para produzir uma resposta imune. Com uma vacina de vírus inteiro, o sistema imunológico não apenas reconhece a proteína spike mas também todas as outras partes do coronavírus, o que permite gerar rapidamente uma resposta imune que envolve diversos ramos diferentes do sistema imunológico e que duram mais tempo.

Outro benefício das vacinas de vírus inteiros e vetores virais é a facilidade de armazenamento e envio. As vacinas de vetores virais podem ser armazenadas num ambiente refrigerado comum durante meses, às vezes anos. Em comparação, as vacinas de mRNA Moderna e Pfizer devem ser armazenadas e enviadas em temperaturas ultrabaixas. Esses requisitos de infraestrutura tornam as vacinas de vírus completos muito mais viáveis ​​para o seu uso em locais remotos em todo o mundo.

5. Quais são as desvantagens das vacinas de vírus inteiros?

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Existem algumas desvantagens nas vacinas de vírus inteiros. Para produzir vacinas de vírus inativados, primeiro deve ser produzida uma enorme quantidade de coronavírus e depois inativá-lo. Existe um risco biológico pequeno, mas legítimo, associado à produção de muitos coronavírus vivos. Uma segunda desvantagem é que as vacinas de vírus inativados e vetores virais podem não produzir proteção forte em pacientes imunocomprometidos.

Finalmente, a produção de vacinas de vírus inteiros requer muito mais trabalho quando comparada com a produção de vacinas mRNA – é preciso fazer crescer, purificar e inativar o vírus enquanto se verifica cuidadosamente a qualidade de cada etapa. Esse longo processo de produção dificulta a obtenção de grandes quantidades da vacina. Pelas mesmas razões, redesenhar ou atualizar vacinas de vírus inteiros para futuras variantes é mais difícil do que simplesmente alterar o código da vacina à base de ácido nucleico ou à base de proteína.

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