Pode Liz Truss aguentar mais do que uma alface? Primeira-ministra alvo de piadas e coro de pedidos de demissão

Há quem calcule que a governante inglesa não fique no cargo mais do que uma semana, após o polémico afastamento do ministro das Finanças.

Pedro Zagacho Gonçalves

A comparação começou numa coluna de opinião da edição de terça-feira do The Economist. Liz Truss era comparada a uma alface, traçando um paralelo entre o curto tempo de validade deste vegetal – por norma cerca de uma semana -, e o tempo que a primeira-ministra britânica levou a causar o caos nos mercados financeiros. Esta sexta-feira, com a demissão do seu ministro das Finanças e uma conferência de imprensa em que, assumindo uma reviravolta na sua política de IRC, recusou demitir-se do cargo, a piada da comparação a uma alface depressa se tornou viral nas redes sociais.

Contam-se centenas de referências em várias plataformas e o jornal Daily Star até já está a fazer uma transmissão em direto que mostra uma alface a decompor-se ao lado de uma foto de Truss, antecipando que, talvez, a primeira-ministra venha a cair no prazo de uma semana. Danny Blanchflower, professor de Economia e antigo economista do Banco de Inglaterra, diz à Sky News que “é provável que Liz Truss não aguente tanto tempo quanto uma alface”.

Mas os internautas vão mais longe e, após a conferência de imprensa em que Truss respondeu repetidamente às perguntas dos jornalistas com as expressões “pela estabilidade” ou “em nome do interesse nacional” – mesmo quando questionada sobre o porquê de ter demitido Kwasi Kwarteng ou se tinha condições para se manter no cargo –, classificam as declarações como “um acidente de viação”, e comparam a saída abrupta da primeira-ministra da conferência à personagem de Forest Gump a correr, no filme do mesmo nome, ou a Homer Simpson, quando num episódio se esconde numa sebe para não ser visto.

Os pedidos de demissão, que também já chegarão a partir de dentro do Partido Conservador, ganharam novo fôlego esta terça-feira, e a oposição aos conservadores fez-se ouvir.

O líder do Partido Trabalhista britânico considerou que a substituição do ministro das Finanças é insuficiente e defendeu uma mudança de Governo, mas evitou pedir a demissão da primeira-ministra, Liz Truss, como fizeram outros partidos da oposição.

“Mudar o ministro das Finanças não desfaz os estragos causados em Downing Street. A abordagem imprudente de Liz Truss fez cair a economia, provocando o aumento das hipotecas, e prejudicou a imagem do Reino Unido no mundo”, criticou Keir Starmer.

A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, foi mais longe e instou Truss a “demitir-se” para restaurar a “estabilidade económica” no Reino Unido e permitir a realização de eleições legislativas.
Já o líder do partido Liberal Democrata, Ed Davey, também considera que “Liz Truss arruinou a economia” britânica e que “está na altura de o povo britânico ter uma palavra a dizer sobre estes incompetentes do partido Conservador”.

“Precisamos de uma eleição nacional já”, vincou.

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