A percentagem da população a viver em situação de pobreza em Portugal caiu para 15,4% em 2024, face aos 16,6% registados no ano anterior, revelou esta quinta-feira o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Apesar da melhoria, 1,66 milhões de pessoas permaneciam em risco de pobreza, vivendo com menos de 723 euros por mês, mantendo o país longe da meta de 10% para 2030.
O INE destaca que a diminuição da pobreza afetou todos os grupos etários, com maior redução entre a população idosa, que registou uma queda de 3,3 pontos percentuais. A taxa de risco de pobreza diminuiu também para ambos os sexos e para diferentes estatutos laborais: de 9,2% para 8,6% entre trabalhadores, e de 44,3% para 42,6% entre desempregados. A população reformada registou uma descida de 19,6% para 16,4%. De acordo com o jornal ‘Expresso’, estas alterações refletem uma melhoria generalizada, embora desigual.
Contudo, o INE aponta um agravamento da pobreza em determinados agregados familiares: famílias monoparentais com pelo menos uma criança passaram de 31% para 35,1%, enquanto agregados com dois adultos e duas crianças subiram de 12% para 14,2%.
Impacto dos apoios sociais
O estudo evidencia ainda a importância dos apoios sociais na mitigação da pobreza. Sem pensões e transferências sociais, a taxa de pobreza em Portugal seria de 40,7%. As pensões de reforma e sobrevivência reduziram este valor para 20,8%, enquanto subsídios como doença, incapacidade, família, desemprego e inclusão social contribuíram para a descida final para 15,4%, destacando-se como determinantes do recuo face ao ano anterior, segundo o Expresso.
A escolaridade mantém um papel relevante: 21,3% da população com apenas ensino básico era pobre em 2024, contra 12,6% entre quem concluiu o ensino secundário ou pós-secundário e apenas 5,4% entre os detentores de ensino superior.
Despesas essenciais e pobreza energética
O Inquérito aponta melhorias em algumas necessidades económicas de 2025, como férias anuais, substituição de mobiliário, aquecimento da casa ou atividades de lazer, mas a pobreza continua a afetar uma parte significativa da população. Por exemplo, 33% dos agregados não conseguem financiar uma semana de férias fora de casa (menos do que 35,2% em 2024), enquanto 29,2% não têm capacidade imediata para fazer face a uma despesa inesperada de 632 euros, acima dos 28,7% de 2024.
Em termos regionais, embora não seja possível calcular a taxa de pobreza por concelho, o INE aponta que Grande Lisboa e Península de Setúbal registam as taxas mais elevadas.














