Pneumonia viral com origem na China pode chegar a Portugal, avisa médico

O presidente Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, alerta que os casos de infecção por coronavírus, que já vitimou seis pessoas na China e passou as fronteiras do país, podem chegar a Portugal.

Executive Digest

O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, alerta que os casos de infecção por coronavírus, que já vitimou seis pessoas na China e passou as fronteiras do país, podem chegar a Portugal.

Em declarações à “Renascença”, o clínico referiu que, sendo transmissível de pessoa para pessoa, o surto pode «também chegar a Portugal». «Essa possibilidade existe porque vivemos num mundo global, onde se viaja com facilidade, o que propicia que os casos de infecção possam disseminar-se», acrescentou.

Salientou, contudo, que «localmente já existe um sistema montado para identificar os casos de uma forma mais ágil». «As autoridades de cada país estão à espera das recomendações da Organização Mundial de Saúde, que amanhã vai reunir”, mas Ricardo Mexia não tem dúvidas de que “as autoridades dos diversos países poderão adoptar medidas diferentes, mas os hospitais e unidades de saúde têm planos de contingência e num cenário de emergência pode-se montar essa resposta», explica Ricardo Mexia. 

O responsável chamou ainda a atenção para o facto de a Comissão Nacional de Saúde da China ter anunciado que «a nova estirpe é transmissível entre seres humanos e isso implica uma abordagem diferente, que faz lembrar o SARS – síndrome respiratória aguda grave de 2003». 

O comité de peritos da Organização Mundial de Saúde (OMS) convocou uma reunião de emergência para esta quarta-feira, com o objectivo de avaliarem e discutirem se o surto que teve início na China constitui uma situação de emergência internacional.

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Zhong Nanshan, um cientista chinês da Comissão Nacional de Saúde, confirmou na segunda-feira que o vírus desconhecido na China é transmissível entre humanos, depois de o Presidente Xi Jinping,ter vindo dizer que este novo tipo de pneumonia viral deve ser «completamente contido», naquela que foi a sua primeira reacção pública sobre o tema.

Os primeiros relatos da doenças, recorde-se, datam de Dezembro. Alguns dos primeiros infectados trabalhavam num mercado de peixe, onde também seriam vendidos pássaros, coelhos ou cobras. Desde então, o mercado está fechado para desinfecção, uma vez que a transmissão da doença dos animais para os humanos não foi posta de parte pelas autoridades.

O último surto do género começou no Sul da China e foram registados mais de oito mil casos em todo o mundo. Matou mais de 800 pessoas em 2002-2003. Mais tarde, descobriu-se que as autoridades chinesas encobriram novos casos durante meses, o que agravou a sua propagação. Desde 2004 que não havia registo de nenhum novo caso, a nível mundial, e a comunidade médica chegou a considerar  a síndrome respiratória aguda grave erradicada.

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