
Plasma de doentes recuperados de Covid-19 não deve ser tratamento padrão, defendem especialistas
Um painel do departamento de saúde norte-americano, ‘National Institutes of Health’ (NIH), considera que não existem evidências que suportem o uso de plasma de doentes recuperados, para tratar outros infectados com o novo coronavírus.
Os especialistas sugerem ainda que os médicos não devem considerá-lo um tratamento padrão até que sejam realizados mais estudos, segundo a ‘CNN’.
«Não há dados suficientes para estarmos a favor ou contra o uso de plasma de doentes recuperados para o tratamento da Covid-19», disse o painel de mais de três dezenas de especialistas, num comunicado publicado no ‘NIH’, esta terça-feira.
«O plasma de doentes recuperados não deve ser considerado um tratamento padrão para a Covid-19», disse o comité, que avalia os tratamentos contra o coronavírus, na nota em questão. «São necessários ensaios bem controlados e com potência adequada, para determinar se o plasma é eficaz e seguro contra a doença», acrescentaram.
O painel do NIH, liderado por Clifford Lane, director de pesquisa do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, entre outros, adiantou que os dados publicados até ao momento não mostram realmente se o tratamento é eficaz.
«Os riscos a longo prazo do tratamento com plasma e doentes recuperados e se o seu uso atenua a resposta imune ao SARS-CoV-2, tornando os pacientes mais susceptíveis à reinfecção, não foram avaliado», acrescentou o comunicado.
A declaração, que foi publicada discretamente, contradiz a caracterização da Administração Trump, que considerava o tratamento «histórico» e um «grande avanço» na pandemia, referindo-se directamente à autorização de uso de emergência dada pela Food and Drug Administration, na semana passada.
Donald Trump declarou, na semana passada, que a autorização de uso de emergência do FDA era histórica. «Hoje tenho o prazer de fazer um anúncio verdadeiramente histórico na nossa batalha contra o vírus, que vai salvar inúmeras vidas», disse o responsável.
O secretário de Saúde e Serviços Humanos, Alex Azar, foi igualmente efusivo. «Este é um grande avanço no tratamento dos pacientes. Um grande avanço», disse no briefing da semana passada.