Planos de pensões europeus de olho no clima: 89% está mais alerta para riscos ambientais

A maioria dos fundos de pensões europeus está mais alerta para os riscos ESG, ou seja, riscos ambientais, sociais e de governance (versus 55% em 2019).

Filipa Almeida

A maioria dos fundos de pensões europeus está mais alerta para os riscos ESG, ou seja, riscos ambientais, sociais e de governance (versus 55% em 2019). A preocupação está patente no mais recente estudo da Mercer “European Asset allocation insights”, segundo o qual se verifica um salto de 14 para 54% no total de planos de pensões a considerar o impacto das alterações climáticas nas decisões de investimento.

«É muito interessante ver que a percepção dos riscos ESG por parte dos investidores institucionais está a aumentar», comenta Rui Guerra, partner da Mercer. Segundo o responsável, estes elementos não devem ser colocados em segundo plano, mas sim integrados nas estratégias.

Rui Guerra sublinha ainda que «para que isto seja relevante a longo prazo, os investidores devem ter a percepção do valor para as suas carteiras». E esta tomada de consciência deverá aumentar «à medida que mais fundos e empresas começam a perceber como os riscos ESG podem impactar directamente o retorno dos seus investimentos e como são percepcionados pela opinião pública».

O mesmo estudo mostra que a regulamentação continua a ser a principal razão para preocupações com riscos ESG (85%). Além disso, 51% dos inquiridos é influenciado pelos benefícios percepcionados quanto ao retorno dos seus investimentos e 30% indica querer alinhar as métricas de risco ESG com as estratégias de responsabilidade corporativas já existentes. Há ainda quem se preocupe com os riscos ESG para mitigar potenciais danos de reputação (40%).

De acordo com a Mercer, a diversificação para outros sectores é uma tendência para continuar, notando-se uma redução do peso das acções e um aumento de obrigações, private equity e real assets. Em Portugal, verifica-se um reforço das classes obrigacionistas, mais protectoras das responsabilidades no caso dos planos de benefício definido e, em simultâneo, uma maior diversificação das carteiras através de exposições mais globais (em vez de uma concentração na Europa). No mesmo sentido, também são consideradas classes de activos mais alargadas, incluindo high yield, emerging markets e alternativos.

Continue a ler após a publicidade

O estudo foi realizado com base nas respostas de 927 clientes investidores institucionais em 12 países. Em comunicado, a Mercer alerta que os dados foram recolhidos antes do surto pandémico de COVID-19, ressalvando, ainda assim, que os resultados deverão estar praticamente inalterados devido ao efeito das políticas de reajustamento e da recuperação do mercado.

Mas Rui Guerra refere que «é muito importante avaliar se os factores que levaram à adopção de uma determinada política de investimentos permanecem válidos ou se é necessário proceder a algum acerto».

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.