O plano nacional de vacinação contra a covid-19 vai ser apresentado esta quinta-feira, anunciou na terça-feira o primeiro-ministro, António Costa em entrevista à rádio Observador.
O primeiro-ministro revelou que será apresentado hoje o plano de vacinação de combate à covid-19, rejeitando que Portugal esteja atrasado em relação a outros países por considerar que o país está “bem a tempo”.
“O que é fundamental é no dia em que a vacina esteja disponível tudo esteja montado para que a vacina seja atribuída”, defendeu, considerando que “não vale a pena” antecipar “ansiedades quando já há suficientes motivos para estarmos ansiosos”.
À agência Lusa, o gabinete de António Costa adiantou que na véspera desta apresentação, na quarta-feira à tarde, o primeiro-ministro recebeu na residência oficial, em Lisboa, a equipa que está a elaborar este plano.
António Costa assegurou que Portugal começou a trabalhar neste plano praticamente desde o início da pandemia e que fez a encomenda máxima por cada lote a que tinha direito, estando o plano logístico “a ser montado e a ser trabalhado”.
“A Agência Europeia do Medicamento o que prevê é vir a licenciar estas vacinas entre final de dezembro e princípio de janeiro, portanto, nós temos de ter as coisas prontas para quando a vacina existir”, apontou, transmitindo uma mensagem de tranquilidade quanto a este processo.
De acordo com o primeiro-ministro, a Comissão Europeia ainda não deu uma data.
“Creio que a Agência Europeia do Medicamento fará hoje um comunicado dizendo quais são as datas em que tem previsto fazer as reuniões de aprovação das vacinas e antes disso as vacinas não são válidas, não podem ser distribuídas”, disse, sublinhando que “esta vai ser a maior operação de vacinação à escala global que alguma vez a humanidade assistiu e esse esforço tem de ser conjunto e articulado”.
O que já se sabe
A ministra da Saúde adiantou ontem que a vacina contra a covid-19, que poderá chegar a Portugal já em janeiro, será gratuita, facultativa e administrada no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
“Será obviamente uma vacinação gratuita, facultativa e a realizar no Serviço Nacional de Saúde”, adiantou Marta Temido sobre o plano de vacinação contra a covid-19.
Questionada sobre a hipótese de a vacina ser dada nos centros de saúde ou em grandes centros de vacinação menos descentralizados, Marta Temido disse apenas que seria através do SNS, apontando dois cenários possíveis.
“Um primeiro momento em que haverá um contexto de maior escassez no acesso a vacinas e, portanto, também à semelhança daquilo que outros países têm estado a planear será um cenário mais controlado, mas depois admitimos que ao longo do ano de 2021 passemos para um cenário de maior abrangência com mais doses disponíveis e também maior expansão dos pontos de administração”, explicou.
“Num cenário extremo de final de ano é equacionável que haja uma distribuição muito mais descentralizada do que num momento inicial”, realçando também que o processo de vacinação será longo e que os portugueses não se poderão “afastar das regras” a que se têm habituado em tempo de pandemia.
Portugal contabilizou ontem mais 68 mortos relacionados com a covid-19 e 3.384 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS). Desde o início da pandemia, Portugal já registou 4.645 mortes e 303.846 casos de infeção pelo novo coronavírus, estando hoje ativos 75.755 casos, mais 747 do que na terça-feira.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.




