A jovem ativista Greta Thunberg acusou, esta terça-feira, os políticos da União Europeia (UE) de não reconhecerem a escala de gravidade da crise climática e considerou que o seu plano de recuperação de 750 mil milhões de euros para responder à crise da Covid-19 não é suficiente para resolver o problema.
A ativista acrescentou ainda que o referido pacote de medidas acordado pelos líderes da UE vem provar que os políticos ainda não tratam as mudanças climáticas como uma emergência.
“Estão ainda a negar o fcato e a ignorar que estamos a enfrentar uma emergência climática, e a crise climática ainda não foi tratada como uma crise”, disse Thunberg em declarações ao ‘The Guardian’, frisando ainda que “enquanto a crise climática não for tratada como uma crise, as mudanças necessárias não acontecerão”.
Importa recordar que os líderes da UE chegaram a um acordo sobre o fundo de recuperação nas primeiras horas desta terça-feira e prometeram que 30% do pacote irá para políticas climáticas, mas poucos detalhes foram revelados sobre esta aplicação
A estas declarações da jovem Thunberg, juntaram-se as vozes de outros líderes de movimentos em toda a Europa, partilhando da ideia de que se trata de pacote inadequado.
Luisa Neubauer, de 24 anos, figura central no movimento de greves escolares da Alemanha, já veio afirmar que os jovens estão a ficar, cada vez mais, frustrados com os políticos.
“Estamos a pedir aos nossos líderes que cuidem da coisa mais fundamental que temos: a segurança das pessoas em todo o mundo, a segurança de nosso futuro”, disse Neubauer. “É preocupante quando, a este nível democrático, pedimos coisas tão substanciais, que parecem tão óbvias, e ainda assim os líderes ignoram amplamente, ou nem sequer consideram que seja tão importante quanto outras coisas”.
Adélaïde Charlier, de 19 anos, da Bélgica, reforçou que os políticos que adotaram a linguagem da ação climática sem dar seguimento a medidas políticas urgentes serão piores do que os que negam a crise climática.
“Quando os líderes minimizam a crise climática, sinto que é mais perigoso do que os líderes que negam completamente, porque sentimos que podemos confiar e que estamos realmente no caminho certo, o que é perigoso e errado”.
1 milhão de euros do prémio Gulbenkian doado a grupos ativistas
Thunberg, que acaba de receber a primeira edição do prémio Gulbenkian para a Humanidade prometeu doar o seu valor 1 milhão de euros a grupos que trabalham para proteger o meio ambiente e impedir a mudança climática.
“Vejo esperança na democracia e nas pessoas”, sublinhou acrescentando que “se as pessoas se consciencializarem do que está a acontecer, então podemos realizar qualquer coisa, podemos pressionar as pessoas no poder … se apenas decidirmos que já tivemos o suficiente, isso mudará tudo”.












