Estão descartadas as suspeitas de terrorismo ou motivações terroristas no ataque perpetrado por um refugiado afegão no Centro Ismaelita em Lisboa, que fez duas vítimas mortais esta terça-feira. A informação foi garantida pelo diretor nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves.
Segundo referiu o responsável “estão afastados todos os sinais de que possamos estar aqui perante um crime motivado religiosamente — ou seja, está afastado o crime de terrorismo”, sustentando que, nas diligências de investigação já efetuadas, não foi encontrado “o mínimo indício” que apontasse para uma radicalização do suspeito. O suspeito, segundo o diretor da PJ, já foi interrogado pelas autoridades nacionais.
Nas diligências feitas ao longo de todo o dia de ontem, não foram recolhidas provas que indicassem discurso de ódio e extremismo ou radicalismo religioso por parte de Abdul Bashir.
“Todos os indícios apontam para um crime de natureza comum”, sustentou Luís Neves.
O diretor nacional da PJ adianta que o cenário mais provável aponta para que o atacante tenha sofrido “um surto psicótico”, mas que será necessário recorrer a perícias psiquiátricas para confirmarem este quadro.
Luís Neves recusou comentar o alegado telefonema misterioso que o autor do ataque recebeu antes dos crimes, referindo que a investigação ainda decorre e que se trata de um assunto de “natureza íntima”.
As buscas feitas pelas autoridades e a investigação ao telefone e computador do autor do ataque, equipamentos que estão apreendidos, dão indicações de que o afegão sofria de stress pós-traumático, após ter saído do Afeganistão para a um campo de acolhimento de refugiados na Grécia, onde a mulher morreu devido a um incêndio.
Há alguns aspetos que ainda estão a ser investigados pela PJ, segundo o Observador, que levantam algumas dúvidas na tese de problemas psicológicos e emocionais, o principal dos quais o facto de o afegão ter viagem marcada para esta quarta-feira. Luís Neves explicou que a viagem teria como destino a Alemanha, e que os três filhos iriam acompanhar o refugiado afegão na deslocação.
Os motivos para a deslocação ainda estão a ser investigados pelas autoridades, que têm também na mira as queixas que o refugiado fez sobre as condições do campo de refugiados na Grécia onde esteve, sobre a falta de resposta do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e também sobre a Alemanha, por onde passou antes de chegar a Portugal, devido ao facto de não lhe ter sido atribuído o estatuto de refugiado naquele país.
O agressor, hospitalizado após ser baleado pela polícia, não deverá ter alta antes de um período de 10 dias e só então haverá condições para ser submetido a interrogatório pelo juiz de instrução, acrescentou ainda o diretor nacional da PJ.






