PIB vai crescer 4,7% em 2021 e 5,1% em 2022, prevê CFP

O Conselho das Finanças Públicas (CFP) está otimista quanto à evolução da economia portuguesa neste e no próximo ano, prevendo que um crescimento do PIB de 4,7% já este ano e de 5,1% em 2022.

A projeção consta do relatório “Perspetivas Económicas e Orçamentais 2021-2025”, divulgado esta quinta-feira, que atualiza a recuperação da economia portuguesa, face a uma contração de 7,6% registada 2020, uma perspetiva mais animadora do que a traçada no início do ano – 3,3% em 2021 e 4,9% em 2022.

“Esta revisão em alta resulta da incorporação do contributo da aprovação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), dos desenvolvimentos económicos a partir do 2.º trimestre de 2021 e do levantamento das restrições à atividade económica num país com uma das mais elevadas taxas de cobertura vacinal do mundo”, justifica o CFP em comunicado.

“Neste cenário, no médio prazo, o crescimento da atividade económica deverá convergir para valores em torno do crescimento do produto potencial (2,0%)”, adianta a entidade, que também antecipa um aumento para 7,3% da taxa de desemprego em 2021, estabilizando em torno de 6,4% em 2025.

O CFP estima também a continuação da redução anual do desequilíbrio orçamental ao longo do horizonte de projeção, com a diminuição do défice, entre 2021 e 2023, de 4,2% do PIB para 1,6% do PIB, e a sua quase estabilização nos últimos dois anos do cenário, situando-se em 1,4% do PIB em 2024 e em 1,3% em 2025.

O rácio da dívida deverá descer ao longo de todo o horizonte de projeção, antecipando-se que atinja 114,1% do PIB em 2025, diminuindo 19,5 p.p. face ao verificado em 2020, sendo “o ritmo de redução mais expressivo no primeiro biénio”.

Riscos macroeconómicos

A projeção acarreta, por outro lado, alguns “riscos macroeconómicos e orçamentais descendentes”, como o atraso nos processos de vacinação em economias parceiras ou aparecimento de novas variantes, que poderão levar ao adiamento no levantamento de restrições, afetando negativamente a recuperação da economia, em particular por via do setor do turismo.

Também o atraso na recuperação da economia poderá aumentar o risco de insolvências no tecido empresarial e, consequentemente, o aumento do desemprego e a diminuição no rendimento das famílias, “o que acarretará riscos descendentes para a manutenção das condições favoráveis de financiamento da economia ao longo do horizonte de projeção”.

Por último, o CFP refere a execução do programa NextGenerationEU, se abaixo do esperado, ou a possibilidade do seu impacto no PIB ficar aquém do projetado.

Nos riscos ascendentes, um crescimento das contribuições sociais superior ao das remunerações (tal como se tem verificado no período mais recente), uma maior elasticidade da receita fiscal face às bases de incidência, uma menor execução de investimento público suportado por financiamento nacional ou um crescimento menos intenso das prestações sociais podem traduzir-se numa evolução mais favorável do que o projetado para o saldo orçamental neste horizonte temporal.

“O controlo da despesa é agora, mais do que nunca, essencial”, avança o CFP. “Este esforço de priorização da despesa será, nos próximos anos, um dos maiores desafios da gestão e das finanças públicas. Só ele permitirá – num contexto esperado de políticas orçamentais dirigidas à redução da dívida pública excessiva – obter o espaço orçamental suficiente para acomodar os custos orçamentais significativos, que se avizinham, da transição ambiental e digital (a somar aos custos do envelhecimento demográfico) e que, afinal, serão suportados pelos contribuintes”, pode ler-se no documento oficial, que recorda, por último, que o PRR apenas financiará e, no imediato, uma (pequena) parte desses custos.

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