PIB tem estado a enganar? Novo índice mostra quem são afinal os países mais ricos do mundo

‘HelloSafe Prosperity Index 2026’ é um ranking que avalia 31 economias avançadas através de cinco indicadores oficiais recolhidos junto do FMI, Banco Mundial, PNUD e OCDE

Francisco Laranjeira

Falar dos países mais ricos do mundo costuma significar olhar para o PIB per capita. Mas esse indicador pode esconder realidades muito diferentes. Um novo estudo da ‘HelloSafe’ defende precisamente isso e propõe uma leitura mais ampla da riqueza, combinando rendimento real, desenvolvimento humano, desigualdade e pobreza.

O resultado é o ‘HelloSafe Prosperity Index 2026’, um ranking que avalia 31 economias avançadas através de cinco indicadores oficiais recolhidos junto do FMI, Banco Mundial, PNUD e OCDE. A conclusão é clara: produzir muito não significa necessariamente viver melhor.

A grande vencedora de 2026 é a Noruega, que surge no primeiro lugar mundial com 77,65 pontos em 100. O país nórdico destaca-se pelo elevado rendimento nacional bruto e por um modelo social equilibrado. Logo atrás aparecem Irlanda e Luxemburgo, dois habituais protagonistas destes rankings.

A Irlanda é, aliás, apresentada como um caso emblemático. Apesar de registar um PIB per capita muito elevado, a ‘HelloSafe’ sublinha que uma parte significativa dessa riqueza está associada à presença de multinacionais como Apple, Google ou Pfizer, o que distorce a leitura sobre o rendimento efetivo das famílias residentes.

No top 10 surgem ainda Suíça, Islândia, Singapura, Dinamarca, Países Baixos, Bélgica e Suécia, confirmando o domínio europeu, sobretudo do norte do continente.

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Estados Unidos longe da liderança

Uma das maiores surpresas do ranking é a posição dos Estados Unidos, apenas no 17º lugar. Apesar da dimensão económica americana, o estudo penaliza o país por níveis elevados de desigualdade e pobreza relativa quando comparado com outras economias desenvolvidas.

Também a França surge distante dos primeiros lugares, fechando o top 20 mundial.

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O que significa para Portugal?

Portugal não integra o top 20 europeu apresentado pela ‘HelloSafe’, o que reforça um desafio antigo da economia nacional: crescer não basta, é preciso transformar crescimento em rendimento disponível, mobilidade social e qualidade de vida.

Para o caso português, o estudo lança pistas relevantes. Países que combinam salários mais robustos, serviços públicos eficazes e menor desigualdade tendem a subir no ranking. Isso coloca temas como produtividade, habitação, fiscalidade e poder de compra no centro da discussão.

Num momento em que muitas famílias continuam pressionadas pelo custo de vida, a mensagem é direta: a verdadeira prosperidade mede-se menos nos números macroeconómicos e mais no impacto real no bolso das pessoas.

Europa continua a dar cartas

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Entre os países europeus, a liderança pertence novamente à Noruega, seguida de Irlanda e Luxemburgo. A ‘HelloSafe’ destaca ainda a solidez dos modelos nórdicos, onde desenvolvimento humano elevado e maior equilíbrio social ajudam a sustentar posições cimeiras.

No fundo, o ranking de 2026 deixa uma ideia simples: os países mais ricos do mundo nem sempre são os que mais produzem. Muitas vezes são os que melhor distribuem a riqueza e a transformam em bem-estar.

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