No 2º trimestre de 2020, o Produto Interno Bruto (PIB) registou uma taxa de variação homóloga de -16,3% em volume, após a redução de 2,3% no trimestre anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados esta segunda-feira.
“A forte contração da atividade económica refletiu o impacto da pandemia Covid-19 que se fez sentir de forma mais intensa nos primeiros dois meses do segundo trimestre”, destaca a análise do INE.
A procura interna apresentou um contributo negativo para a variação homóloga do PIB consideravelmente mais acentuado que o observado no trimestre anterior (passando de -1,2 para -11,9 pontos percentuais (p.p.)), refletindo a expressiva contração do Consumo Privado e do Investimento.
O contributo da procura externa líquida foi mais negativo no 2º trimestre (passando de -1,1 para -4,4 p.p.), observando-se uma diminuição mais acentuada das Exportações de Bens e Serviços (-39,5%) que nas Importações de Bens e Serviços (-29,9%), devido em grande medida à quase interrupção do turismo de não residentes.
Comparativamente com o 1º trimestre de 2020, o PIB diminuiu 13,9% (variação em cadeia de -3,8% no trimestre anterior).
Este resultado é também explicado principalmente pelo contributo negativo (-10,7 pontos percentuais) da procura interna, verificando-se igualmente um maior contributo negativo da procura externa líquida (-3,1 pontos percentuais).
Despesas de consumo final das famílias recuaram 15,0%
No 2.º trimestre, as Despesas de Consumo Final das Famílias Residentes registaram uma diminuição homóloga de 15,0% em volume, após a redução de 1,0% no trimestre anterior.
As despesas das famílias residentes em bens duradouros apresentaram uma acentuada redução (taxa de -27,6%), após terem diminuído 4,9% no 1º trimestre, refletindo principalmente uma quebra abrupta das aquisições de veículos automóveis.
A componente de bens não duradouros e serviços também diminuiu de forma expressiva, passando de uma taxa de variação homóloga de -0,6% no 1º trimestre para -13,6%, verificando-se, no entanto, um crescimento mais acentuado na componente de bens alimentares no 1º e 2º trimestre.
Face ao 1º trimestre, as despesas de consumo das famílias residentes diminuíram 14,0% (taxa de -2,9% no trimestre anterior), verificando-se uma variação em cadeia de -23,8% das despesas em bens duradouros (sobretudo de veículos automóveis), tendo as despesas em bens não duradouros e serviços diminuído 13,0% (taxas de -8,4% e -2,3% no 1º trimestre, respetivamente).
O consumo privado no território económico, refletindo a expressiva redução da despesa efetuada por não residentes, registou uma taxa de variação homóloga de -21,7% no 2º trimestre de 2020, após uma redução de -2,1% no trimestre anterior.





