Petrolífera moçambicana ENH precisa de 129,6 ME para nova infraestrutura de gás

 

Executive Digest com Lusa

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) necessita de 129,6 milhões de euros para construir uma infraestrutura de transporte, armazenamento e regaseificação de gás entre Inhassoro e Beira, disse hoje o presidente da empresa estatal moçambicana.

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“Cerca de 150 milhões de dólares [129,6 milhões de euros] é aquilo que nós precisamos de investimento para fazer todo o projeto”, disse o presidente da ENH, Rudêncio Morais, em declarações aos jornalistas à margem do XI Conselho Coordenador do Ministério dos Recursos Minerais e Energia.

A infraestrutura, prevista no contrato de concessão aprovado em dezembro de 2025, será construída no porto da Beira, na província de Sofala centro de Moçambique, e em Inhassoro, em Inhambane no sul, e incluirá um sistema de gasodutos para ligar esta última região ao gasoduto existente em Temane, no sul do país.

O projeto permitirá transportar gás produzido no norte de Moçambique para as regiões centro e sul e terá capacidade para receber cerca de quatro milhões de toneladas por ano, equivalentes a cerca de 174 mil metros cúbicos, segundo Rudêncio Morais.

O desenvolvimento será feito por fases, começando pelos estudos de impacto ambiental e de viabilidade e pela elaboração de um plano de desenvolvimento, que deverá ser apresentado ao Governo no prazo máximo de 18 meses. Após a aprovação, a ENH prevê cerca de dois anos para a engenharia, aquisição e construção da infraestrutura.

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A empresa aponta para a conclusão da infraestrutura entre 2028 e 2030, em articulação com o aumento previsto da produção de gás do projeto Coral Norte.

O financiamento será estruturado através do modelo de financiamento de projetos, estando disponíveis cerca de 10 milhões de dólares (8,6 milhões de euros) para a fase inicial.

“Estamos a encarar numa perspetiva de ‘project finance’. Ou seja, temos que estruturar o projeto para que ele se consiga financiar”, explicou Morais, acrescentando que os fundos disponíveis permitirão avançar com a fase inicial do projeto.

A ENH pretende também desenvolver infraestruturas para aumentar o consumo de gás natural no mercado interno, incluindo ligações para abastecimento doméstico e veicular, bem como pontos de ligação entre o gasoduto principal e redes secundárias.

“Temos uma primeira perspetiva de que Moçambique tem que ter infraestruturas necessárias para conseguir ter gás doméstico e poder contribuir para o processo da industrialização do país”, disse o presidente da ENH, defendendo o reforço da capacidade nacional para absorver o gás produzido no país.

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Criada em 1981, a ENH participa em todas as operações petrolíferas e nas respetivas fases das atividades de pesquisa, exploração, produção, refinação, transporte, armazenamento e comercialização de hidrocarbonetos e dos seus derivados, incluindo Gás Natural Liquefeito (LNG) e Gás para Líquidos (GTL), dentro e fora do país.

Conta com um capital social de 749 milhões de meticais (10 milhões de euros) totalmente subscrito pelo Estado moçambicano, exerce a sua atividade subordinada ao Ministério dos Recursos Naturais e Energia, tendo como objetivo principal a atividade petrolífera, “nomeadamente a prospeção, pesquisa, desenvolvimento, produção, transporte, transmissão e comercialização de hidrocarbonetos e seus derivados”, incluindo importação e exportação.

Moçambique tem três megaprojetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de GNL da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo de Cabo Delgado. Um desses projetos é da TotalEnergies e outro da ExxonMobil (18 mtpa), de 30 mil milhões de dólares (26,1 mil milhões de euros), que aguarda decisão final de investimento, ambos em Afungi.

Soma-se o da italiana Eni, que já produz desde 2022 cerca de sete mtpa, a partir da plataforma flutuante Coral Sul, que será duplicada a partir de 2028 com a plataforma Coral Norte, num investimento de 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros).

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