Petróleo sobe para máximos de duas semanas após nova troca de ataques entre EUA e Irão

Os preços do petróleo subiram mais de 2% esta quarta-feira e atingiram máximos de duas semanas, numa altura em que os Estados Unidos e o Irão voltaram a trocar ataques.

Executive Digest

Os preços do petróleo subiram mais de 2% esta quarta-feira e atingiram máximos de duas semanas, numa altura em que os Estados Unidos e o Irão voltaram a trocar ataques e Washington repôs sanções sobre as vendas de crude iraniano. A escalada reacendeu os receios de que a frágil trégua entre os dois países esteja a desfazer-se e de que os fornecimentos do Médio Oriente possam voltar a ser perturbados.

Segundo a Reuters, os futuros do Brent avançavam 1,73 dólares, ou 2,33%, para 75,89 dólares por barril às 07h55 GMT. Já o West Texas Intermediate, referência norte-americana, subia 1,57 dólares, ou 2,23%, para 72,01 dólares por barril. Ambos os referenciais atingiram os valores mais elevados desde 24 de junho.

Sanções ao crude iraniano pressionam mercado

A subida desta quarta-feira prolonga o movimento já registado na terça-feira, quando os dois referenciais valorizaram cerca de 3% depois de os Estados Unidos terem revogado a licença geral que autorizava a venda de petróleo iraniano.

Tamas Varga, analista da PVM, citado pela Reuters, afirmou que a valorização continuou esta manhã e referiu que quatro petroleiros e navios de gás terão decidido não atravessar o Estreito de Ormuz ou sido obrigados a inverter a rota. A decisão surgiu depois de o Irão ter declarado que a única passagem marítima segura pelo estreito é a rota designada por Teerão.

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O Estreito de Ormuz voltou, assim, ao centro das preocupações do mercado energético. Antes do início da guerra, no final de fevereiro, por esta passagem circulavam cargas equivalentes a cerca de um quinto do abastecimento energético mundial.

EUA atacam o Irão após incidentes com navios

O Comando Central dos Estados Unidos afirmou na terça-feira que os ataques aéreos norte-americanos foram uma resposta a ações iranianas contra três navios comerciais que atravessavam o Estreito de Ormuz.

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Poucas horas depois, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou ter atacado instalações militares dos Estados Unidos no Bahrein e no Kuwait. O Irão não assumiu responsabilidade pelos ataques contra os navios, mas o Qatar responsabilizou Teerão pelos incidentes, incluindo um ataque contra um navio qatari de gás natural liquefeito, que terá sido atingido por um drone e sofrido um incêndio na casa das máquinas.

A sucessão de incidentes aumentou a tensão sobre o transporte marítimo na região e trouxe de volta o risco de perturbações no fornecimento de energia a partir do Médio Oriente.

Teerão acusa Washington de violar acordo de paz

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, acusou os Estados Unidos de violarem gravemente o acordo provisório de paz. Entre as críticas apontadas por Teerão estão os ataques norte-americanos contra o Irão, a reposição de sanções ao petróleo, ameaças de novos bombardeamentos, violações das regras iranianas no Estreito de Ormuz e a continuação de ataques israelitas contra o Líbano.

Bjarne Schieldrop, analista-chefe de matérias-primas do SEB, afirmou que os desenvolvimentos mais recentes colocaram em dúvida o futuro do processo negocial de 60 dias. Na sua avaliação, um preço do petróleo mais próximo dos 80 dólares por barril estará mais alinhado com os atuais fundamentos do mercado do que um valor próximo dos 70 dólares.

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Mercado tinha apostado numa queda dos preços

Depois de os Estados Unidos e o Irão terem assinado uma trégua no mês passado, os preços do petróleo recuaram para níveis anteriores à guerra. Os investidores acumularam posições curtas nos futuros do petróleo, apostando numa continuação da queda dos preços.

Essa descida tinha sido alimentada pela expectativa de que uma vaga de oferta reprimida do Médio Oriente pudesse chegar ao mercado. A nova escalada militar, porém, inverteu o sentimento dos investidores e renovou os receios de escassez.

Desde o início do conflito, vários países têm recorrido às suas reservas para compensar a quebra de abastecimento. Nos Estados Unidos, os inventários de crude voltaram a cair na semana passada, segundo fontes de mercado citadas pela Reuters com base em dados do American Petroleum Institute. Analistas consultados pela agência esperavam uma descida de cerca de 2,4 milhões de barris na semana terminada a 3 de julho.

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