O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos prorrogou a suspensão temporária de parte das sanções aplicadas ao petróleo russo, permitindo determinadas operações relacionadas com a entrega e venda de crude e produtos petrolíferos de origem russa carregados em navios até 17 de abril. A autorização, emitida pelo Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros, consta da licença geral 134B e está em vigor até este sábado.
A medida aplica-se a operações necessárias para o embarque, entrega ou venda de petróleo russo já carregado, incluindo navios associados à chamada “frota fantasma”, rede de embarcações usada por Moscovo para manter exportações e contornar restrições ocidentais. A Associated Press escreve que a decisão prolonga por 30 dias uma licença semelhante emitida em março e surge num contexto de perturbação dos mercados energéticos provocada pela guerra envolvendo o Irão.
A prorrogação representa uma flexibilização limitada e temporária, não o levantamento geral das sanções contra Moscovo. As transações com o Irão, Coreia do Norte e Cuba continuam proibidas, tal como as operações relacionadas com as regiões ucranianas ocupadas, incluindo a Crimeia. Washington mantém, assim, o quadro de sanções contra vários regimes e territórios, abrindo apenas uma exceção circunscrita ao petróleo russo já em trânsito.
A decisão é politicamente sensível, porque pode aliviar a pressão sobre os preços internacionais da energia, mas também permitir que Moscovo continue a obter receitas com exportações petrolíferas. A AP nota que a extensão surgiu poucos dias depois de o secretário do Tesouro, Scott Bessent, ter afastado publicamente a hipótese de renovar esta licença, sem que a administração americana tenha explicado de imediato a inversão de posição.
A União Europeia segue, entretanto, uma linha mais restritiva sobre a frota fantasma russa. O Conselho da UE anunciou em maio novas medidas para limitar essa rede, incluindo restrições a mais 46 navios, salvaguardas contra a venda de petroleiros europeus para utilização russa e bases para uma futura proibição do transporte de petróleo e produtos petrolíferos russos, em coordenação com o G7 e a coligação do teto ao preço do petróleo.












