“Petróleo pode subir 20% num instante”: especialista alerta para risco de novo bloqueio em Ormuz e choque energético global

Henrique Valente, especialista da ActivTrades, falou em exclusivo à ‘Executive Digest’ sobre o impacto da decisão de Trump em bloquear o extremo vital para a economia mundial

Francisco Laranjeira

O possível controlo do Estreito de Ormuz pelos Estados Unidos está a colocar os mercados financeiros em alerta máximo, num momento em que este corredor continua a ser responsável por cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo. Qualquer perturbação neste ponto estratégico pode desencadear efeitos em cadeia — da energia à inflação, passando pelo crescimento económico global.

Um nervo vital da economia mundial

O Estreito de Ormuz não é apenas uma passagem marítima: é um verdadeiro “interruptor” da economia global. A sua importância explica a sensibilidade dos mercados a qualquer notícia relacionada com bloqueios, controlo militar ou escalada no Golfo.

Num contexto já marcado por tensões com o Irão, a simples possibilidade de disrupção está a alimentar volatilidade nos preços do petróleo e do gás, com reflexos imediatos nos mercados acionistas e cambiais.

Mercados já reagem — mas ainda com expectativa de alívio

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Apesar da crescente pressão, os mercados continuam a assumir, em parte, que a crise poderá ser contida. Ainda assim, o chamado “prémio de risco geopolítico” já está incorporado nos preços da energia, refletindo o receio de uma escalada.

O petróleo tem oscilado em torno de níveis elevados, com os investidores a equilibrarem dois cenários: uma resolução rápida ou um agravamento que poderá empurrar os preços para novos máximos.

“Qualquer deterioração pode desencadear um choque energético”

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Henrique Valente, analista da ActivTrades, não tem dúvidas quanto ao impacto potencial de uma escalada:

“Se os EUA controlarem o Estreito de Ormuz, o processo deverá ser atribulado e com impacto direto nos preços da energia. Apesar de os mercados ainda refletirem alguma expectativa de estabilização, qualquer deterioração no estreito poderá desencadear um novo choque energético.”

O especialista, em declarações em exclusivo à ‘Executive Digest’, sublinha que os mercados ainda não estão totalmente posicionados para um cenário prolongado:

“Os mercados já incorporam um prémio de risco geopolítico no petróleo, mas continuam a assumir uma resolução nas próximas semanas. Se o conflito se prolongar ou houver uma nova escalada regional, o crude poderá facilmente regressar aos máximos.”

Energia mais cara e efeito imediato na Europa

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No curto prazo, o impacto pode ser significativo — e rápido. Henrique Valente aponta para subidas expressivas nos preços:

“O controlo do Estreito de Ormuz pelos EUA não implica um bloqueio total, mas é suficiente para provocar uma reação imediata nos mercados energéticos. No petróleo, a subida poderia situar-se entre 10% e 20% num cenário otimista.”

No gás natural, o efeito poderá ser ainda mais acentuado:

“Países como o Qatar dependem do estreito para exportar, pelo que qualquer perturbação poderá traduzir-se em subidas de preços na ordem dos 10% a 30%. Para a Europa, o impacto chegaria rapidamente através de energia mais cara, pressionando a inflação e aumentando os custos para as empresas.”

Quem ganha e quem perde nos mercados

Num cenário de escalada, o mapa de vencedores e vencidos nos mercados tende a repetir-se — mas com intensidade acrescida.

“Os setores energético e da defesa tenderiam a beneficiar, enquanto setores mais sensíveis a custos, como transporte, indústria e consumo, seriam penalizados, com impacto negativo nos mercados acionistas, sobretudo na Europa”, explica o analista.

Um risco que pode ir muito além da energia

O Estreito de Ormuz volta assim ao centro das preocupações globais — não apenas como ponto geográfico, mas como barómetro do risco económico mundial.

Se a tensão escalar, os mercados podem rapidamente abandonar o atual cenário de relativa contenção e entrar numa fase de correção mais agressiva. E, nesse momento, o impacto deixará de ser apenas energético para se tornar sistémico — com consequências diretas no dia a dia de consumidores e empresas.

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