Petróleo e ouro podem ser os vencedores desta nova crise. Especialista da AllianzGI antecipa dias difíceis nos mercados

A crescente tensão geopolítica, com o conflito entre Israel e Irão no centro das atenções, está a lançar novas incertezas sobre os mercados financeiros globais. A ameaça de um bloqueio ao Estreito de Ormuz – por onde passa cerca de um terço do petróleo transportado por via marítima no mundo – poderá impulsionar os preços do crude e alimentar pressões inflacionistas, numa altura em que os bancos centrais enfrentam decisões difíceis sobre política monetária.

André Manuel Mendes
Junho 20, 2025
10:19

A crescente tensão geopolítica, com o conflito entre Israel e Irão no centro das atenções, está a lançar novas incertezas sobre os mercados financeiros globais. A ameaça de um bloqueio ao Estreito de Ormuz – por onde passa cerca de um terço do petróleo transportado por via marítima no mundo – poderá impulsionar os preços do crude e alimentar pressões inflacionistas, numa altura em que os bancos centrais enfrentam decisões difíceis sobre política monetária.

A análise é de Hans-Jörg Naumer, diretor de Global Capital Markets & Thematic Research da gestora de ativos Allianz Global Investors (AllianzGI), que sublinha o impacto global da política em tempos de crise: “Se é verdade que toda a política é local para conquistar votos, nos mercados e na economia global aplica-se o oposto: toda a política é global”, afirma.

Naumer aponta para uma semana marcada por dois grandes encontros internacionais – a cimeira da NATO, em Haia, e o Conselho Europeu – onde o apoio à Ucrânia, o reforço da despesa militar e a cooperação com a indústria de defesa estarão no topo da agenda. Mas a atenção estará, inevitavelmente, voltada para o Médio Oriente.

Petróleo, ouro e os riscos para a economia

Um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz teria impacto direto no preço do petróleo e nos mercados acionistas, alerta o especialista. Apesar de o Irão exportar apenas cerca de 1,6 milhões de barris por dia, países como a Arábia Saudita têm capacidade para compensar parte dessa quebra.

Desde o primeiro choque petrolífero, em 1973, a intensidade energética da economia global caiu cerca de 50%, o que reduz, embora não elimine, a vulnerabilidade face a choques de oferta.

Entretanto, as tensões globais estão a influenciar o comportamento dos investidores. O ouro e o petróleo surgem como potenciais “vencedores” desta instabilidade, funcionando como ativos de refúgio ou de valorização num cenário de incerteza.

Banca central em segundo plano – mas decisiva

Num contexto menos turbulento, o foco estaria nas decisões dos bancos centrais, como a Reserva Federal dos EUA (Fed), o Banco de Inglaterra (BoE) e o Banco do Japão (BoJ). Este último anunciou um abrandamento no ritmo de redução das compras de obrigações, sinalizando uma postura mais dovish para apoiar o mercado obrigacionista nipónico.

As próximas decisões de política monetária continuam, no entanto, a depender fortemente dos dados económicos. Na frente macroeconómica, a semana arranca com os PMI (índices dos gestores de compras) da zona euro e dos EUA, seguidos pelos índices de confiança empresarial (ifo na Alemanha e Conference Board nos EUA). Também serão divulgados os dados finais do PIB norte-americano no primeiro trimestre – que deverá confirmar uma contração – e o índice PCE, principal indicador de inflação observado pela Fed.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.