A oferta de crude nos mercados tem registado cada vez mais um maior excedente face à contínua queda da procura, derivada de uma menor utilização de viaturas e da quebra da actividade económica, pela pandemia da Covid-19. À falta de espaço de armazenamento em terra, muitas empresas estão já a recorrer aos superpetroleiros, de acordo com a agência ‘Reuters’.
O crude já bateu um novo recorde de 160 milhões de barris (o dobro do nível de há duas semanas), segundo fontes do sector citadas pela ‘Reuters’. O Brent do Mar do Norte, negociado em Londres e referência para as importações portuguesas, segue a perder 5,73% para 26,47 dólares por barril.
Já em Nova Iorque a queda é muito mais acentuada, com o West Texas Intermediate (WTI), “benchmark” para os Estados Unidos, a afundar 83,36% para 3,04 dólares por barril, o que constitui um mínimo histórico.
Até à data o valor de 9,75 dólares tinha sido a cotação intra-diária mais baixa desde que os futuros do petróleo foram lançados em 1983 no mercado nova-iorquino de matérias-primas (NYMEX, que faz parte do CME Group). Ou seja, desde a Administração Reagan que o crude não estava tão barato. O Brent, por seu lado, começou a ser negociado em Londres, no International Petroleum Exchange, em 1988. O valor de fecho mais baixo de sempre do WTI foi atingido em março de 1986, nos 10,42 dólares por barril.
A descida registada nesta segunda-feira no WTI deixa os preços do crude norte-americano 95,1% abaixo do pico de Janeiro, nos 63,27 dólares. O CME Group já aponta para a possibilidade de o West Texas Intermediate vir a ser negociado em valores negativos.
Os produtores norte-americanos têm sido os mais afectados pela falta de armazenamento, segundo a Bloomberg estão perto de ter de pagar para os clientes ficarem com o petróleo que estão a extrair. No Texas estão a oferecer apenas 2 dólares por barril.
«Com o espaço de armazenamento a encher, o preço do petróleo para entrega imediata afundou», comentou à ProActiveInvestors um analista do Saxo Bank, Ole Hansen. O spread de mais de 19 dólares entre os contratos de maio e de Junho é um claro sinal de que os traders de petróleo físico não têm espaço disponível, acrescentou.
O contrato de Junho do WTI regista uma queda de 9% para 22,70 dólares por barril. O Saxo considera que só uma forte alteração nos fundamentais – como os produtores serem obrigados a parar ou haver uma melhoria significativa do lado da procura – poderá agora travar esta queda dos preços.
Na semana passada, a Administração Trump disse estar a ponderar pagar aos produtores petrolíferos norte-americanos para deixarem o crude nos poços. Ou seja, quer pagar para que as perfuradoras não trabalhem.
Por sua vez, a Agência Internacional de Energia (AIE) sublinhou que os EUA vão registar uma queda «sem precedentes» na sua produção de petróleo este ano devido aos baixos preços – que dificultam grandemente a vida às empresas do «shale oil» [petróleo extraído das rochjas de xisto betuminoso].
Outro dos fatores que está a pressionar o petróleo prende-se com o vencimento do contrato de futuros de maio do WTI já amanhã. Os traders tendem a vender futuros prestes a expirar para comprarem contratos com prazo de validade mais longo.
Para além disso, os inventários de crude nos EUA não param de aumentar. As reservas norte-americanas de crude aumentaram em 19,2 milhões de barris há duas semanas, anunciou na passada quarta-feira o Departamento norte-americano da Energia. Foi o maior incremento semanal desde que estes dados começaram a ser compilados, em 1982.
Os inventários de crude dos EUA estão agora acima de 500 milhões de barris – pela primeira vez desde Junho de 2017, segundo os dados da ClipperData.









