Altos responsáveis da Casa Branca estão a analisar a possibilidade de o preço do petróleo atingir um valor recorde de 150 dólares por barril (ou até ultrapassar esse patamar) à medida que a guerra com o Irão entra no segundo mês e continua a estrangular a oferta global de energia. A informação foi confirmada por uma fonte conhecedora das conversas internas e por duas pessoas próximas da administração.
No interior do executivo liderado por Donald Trump, decorrem avaliações sobre o impacto económico de preços persistentemente elevados e sobre eventuais medidas para conter a escalada, incluindo o recurso a poderes de emergência adicionais. Dois responsáveis da indústria energética, em contacto com a Casa Branca e que falaram sob anonimato, indicam que estão a ser ponderadas soluções extraordinárias para mitigar a pressão sobre os consumidores.
O Presidente recebeu também projeções do Departamento do Tesouro que apontam para preços acima dos 100 dólares por barril durante um período prolongado. Segundo uma das fontes familiarizadas com as discussões, esse valor é encarado como um “ponto de referência”, não estando excluído um cenário extremo de 200 dólares por barril.
As discussões estratégicas estão a ser coordenadas pelo Conselho Nacional para a Dominância Energética, um comité interdepartamental que integra os departamentos da Defesa, Energia, Comércio, Estado e Interior. Apesar de o planeamento não significar que a administração espere necessariamente que o barril atinja esses máximos históricos, a abordagem tem sido descrita por um observador da indústria próximo da Casa Branca como estando em modo “all hands on deck”, ou seja, mobilização total para evitar esse desfecho.
A preocupação intensifica-se num momento em que o preço médio nacional da gasolina atingiu os 4 dólares por galão e em que uma vaga de escassez de petróleo começa na Ásia e deverá chegar aos Estados Unidos nas próximas semanas. Desde o início do conflito, Trump e outros responsáveis sustentaram que a guerra seria breve e que os preços cairiam rapidamente após o seu término. Contudo, essa narrativa foi abalada pela recusa do Irão em cessar ataques a petroleiros e embarcações nas imediações do Estreito de Ormuz, por onde transita diariamente cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo e gás. Na terça-feira, Trump escreveu na rede Truth Social que os países incapazes de comprar combustível de aviação deveriam “ganhar alguma coragem atrasada, ir ao Estreito e simplesmente APODERAR-SE dele”, acrescentando: “Vão buscar o vosso próprio petróleo!”
Stephen Moore, antigo conselheiro económico de Trump, considera em declarações ao Politico que seria necessário “muita coisa correr mal” para o crude atingir 150 dólares por barril, classificando o cenário como improvável, mas um verdadeiro “pesadelo”. Ainda assim, sublinha que a administração está a preparar-se para garantir que a economia “saia da vala onde tem estado no último mês”, reconhecendo que os preços elevados da energia constituem um fardo político relevante para o Partido Republicano. “Toda a equipa económica com quem falei está consciente dos efeitos negativos da subida do petróleo e da gasolina”, afirmou, acrescentando que não surpreende que o Presidente esteja “realmente focado em baixar isso o mais rapidamente possível”.
Entre as hipóteses em análise contam-se medidas inéditas para aliviar os custos nos postos de abastecimento, incluindo o exercício de poderes de emergência e fundamentos de defesa nacional para enfrentar as perturbações na cadeia de abastecimento no Estreito de Ormuz. Um porta-voz da Casa Branca negou, porém, que a administração esteja a “discutir ou prever preços de petróleo a curto prazo” ou a considerar barris a 200 dólares. “A Administração continua a explorar opções adicionais que poderá adotar, se necessário, para mitigar quaisquer interrupções temporárias no fornecimento”, afirmou Taylor Rogers, assegurando que, “graças ao Presidente Trump, a América desfruta de níveis recorde de produção doméstica de petróleo e gás”.
Entretanto, responsáveis de topo do Departamento de Energia cancelaram deslocações para permanecerem em Washington, face à volatilidade da situação no Irão e à instabilidade dos preços. Especialistas alertam que o impacto total da guerra ainda não foi sentido: nas primeiras semanas, o mercado beneficiou de carregamentos já em trânsito antes do início do conflito. Com esses navios a chegarem agora ao destino e com o bloqueio persistente no Estreito de Ormuz, surge um “vazio” no sistema, nas palavras do analista Rory Johnston, autor da newsletter “Commodity Context”. A onda deverá atingir os Estados Unidos dentro de cerca de duas semanas. Embora o país esteja melhor posicionado do que a maioria devido ao seu estatuto de grande produtor, Johnston avisa que haverá novas subidas no gasóleo, no combustível de aviação e nos custos de transporte. “Isto vai ser muito duro para os consumidores”, afirmou. “Será, na prática, um imposto massivo que vai reduzir o rendimento disponível. As famílias mais pobres serão as mais atingidas.”




