Petróleo a 100 dólares negativos? Especialista que previu preço negativo acredita que sim

Os analistas consideram que é apenas uma questão de semanas para que o espaço para armazenar petróleo bruto se esgote totalmente.

Automonitor
Abril 23, 2020
15:13

“Entrámos, claramente, numa crise diária de gestão de mercado em larga escala”, sublinha Paul Sankey, conceituado analista de petróleo do Mizuho Bank, que estava certo ao alertar, logo em março, para um cenário de preços negativos do petróleo.

E esta semana, os seus alertas subiram de tom, com o especialista a afirmar que “muito possivelmente, chegaremos aos 100 dólares negativos por barril já no próximo mês”.

A centenas de milhares de quilómetros da Terra, os satélites Sentinel-1 são como os olhos no céu, e já mostram porque os preços do petróleo nos EUA caíram abaixo de zero esta semana e por que é provável que muito do petróleo, noutras partes do mundo, sigam o mesmo caminho.

O satélite transmite sinais de radar sobre os enormes tanques de metal que armazenam petróleo e reúne dados ​​para calcular a quantidade de petróleo que têm dentro. E a sua mensagem é alarmante: o armazenamento de petróleo está mesmo a acabar.

O mundo dos preços negativos não tem fim à vista e, depois desta semana, tudo é possível. Certo é que os dados de satélite mais recentes mostram um excedente massivo. Todas as semanas são armazenados 50 milhões de barris de petróleo bruto, o suficiente para abastecer Alemanha, França, Itália, Espanha e Reino Unido juntos.

Na Índia, as refinarias ocuparam 95% da capacidade de armazenamento de combustível, de acordo com funcionários de três processadores estaduais. A Nigéria cortará a produção porque não tem lugar para armazenar petróleo, disse Mele Kyari, chefe da empresa estatal de petróleo NNPC.

As refinarias de petróleo não compram petróleo porque não há procura por gasolina. Alguns produtores estão a reduzir a produção, mas outros continuaram a extrair petróleo. Alguns dólares podem ser melhores do que nada, sobretudo para empresas endividadas.

Os dados de satélite podem até estar a subestimar a falta de espaço disponível. Os operadores já alugaram muito espaço vazio.

“Podemos ter preços negativos e preços muito negativos”, diz Pierre Andurand, fundador do fundo de investimento livre com o mesmo nome, acrescentando que o petróleo é um “mercado perigoso no qual negociar neste momento”.

Visto de cima, o mercado de petróleo parece ser um sistema mundial altamente interconectado. Mas a realidade é que o mercado é uma compila pequenas e grandes ilhas, todas conectadas por links finos. O que importa não é quando o armazenamento total do mundo estará em plena capacidade, mas quando cada uma dessas ilhas, ou centros regionais, atingir ou se aproximar da capacidade máxima.

(Sónia Bexiga, revista Risco)

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.