A petição pela reforma dos professores e educadores aos 60 anos, sem penalizações, recolheu mais de 40 mil assinaturas em apenas três dias, indicou esta segunda-feira a ‘CNN Portugal’.
Carla Soares, educadora de infância numa IPSS do Porto, foi a responsável pela petição – que pode consultar aqui – depois de se sentir “abandonada e desgastada”, como “imensos professores e educadores”, com o “desgaste real e crescente” da profissão.
“Ao acompanhar de perto esta realidade, senti a necessidade de dar voz a algo que, sendo profundamente sentido, nem sempre é devidamente ouvido”, explicou.
“Ensinar não é apenas uma profissão – é uma missão profundamente exigente, exercida diariamente sob pressão constante, desgaste emocional intenso e responsabilidade permanente. Ao longo de décadas, os professores trabalham muito para além do horário, lidam com níveis elevados de stress e exaustão, enfrentam turmas cada vez mais exigentes e heterogéneas, são sobrecarregados com burocracia excessiva, sacrificam frequentemente a sua saúde física e mental”, pode ler-se no documento, concluindo:
“É inaceitável exigir que estes profissionais permaneçam em funções até aos 66 ou 67 anos, quando o próprio sistema já evidencia sinais claros de desgaste generalizado.”
“Esta não é uma situação isolada, mas sim uma realidade amplamente sentida na sociedade”, referiu Carla. “Esta petição foi criada num momento de introspeção pessoal, de querer dar um grito de revolta por ninguém ouvir este sentimento vivido por mim e por tantas colegas. Devo ser verdadeira nunca esperei que em poucas horas atingisse a proporção onde chegou. Mas sinto-me grata por isso. Afinal não sou só eu.”








