O peso dos juros na prestação da casa mais do que triplicou nos últimos dois anos, indica esta segunda-feira o jornal ‘Público’: apesar de as taxas de juro terem baixado nos últimos meses, o efeito tarda em refletir-se na carteira dos portugueses, com prestações cada vez mais altas, mas sobretudo um peso dos juros a representar uma fatia cada vez maior dessas prestações.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em julho, a taxa de juro implícita (indicador que reflete a relação entre os juros totais vencidos no mês de referência e o capital em dívida no início desse mês) no conjunto dos contratos de crédito à habitação diminuiu pelo sexto mês consecutivo, fixando-se em 4,487%, o que representa menos 2,6 pontos base face ao mês anterior. Foi também a primeira vez que este indicador ficou abaixo da fasquia dos 4,5% desde outubro do ano passado.
Em julho, de acordo com o INE, a prestação média do conjunto dos contratos de crédito à habitação era de 405 euros, um valor que fica 55% acima do verificado em junho de 2022, de 261 euros. No entanto, a composição das prestações inverteu-se: se, há dois anos, o capital amortizado representava uma parcela de 83% da prestação total, hoje são os juros que têm a maior fatia: em julho, os juros correspondiam a 60% da prestação média, o equivalente a 3,5 vezes mais do que se verificava há dois anos – na prática, que, apesar de as famílias estarem a pagar mais pelo empréstimo da casa, estão a amortizar menos crédito por cada prestação paga.
Se se analisar os contratos celebrados nos três meses anteriores ao período de referência, a prestação média era de 611 euros, dos quais 64% diziam respeito apenas a juros. Há dois anos, a prestação média dos novos créditos era de 425 euros e os juros representavam uma fatia em torno dos 30% deste montante.














