Peso da electricidade no consumo de energia em Portugal é o mais baixo desde 2014

O peso da electricidade no consumo final de energia em Portugal foi, no ano passado, de 26,2%. Esta quota não só está abaixo dos 26,7% de 2017 como também é o nível mais baixo de electrificação dos últimos cinco anos (em 2014 a electricidade representava 27,1% do consumo total de energia em Portugal), segundo o mais recente balanço energético da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).

Estes dados, analisados pelo “Expresso”, mostram que o consumo final de electricidade está a crescer ininterruptamente há cinco anos. De 2017 para 2018 cresceu 2,9%. Apesar desse crescimento no consumo de electricidade, o peso desta fonte tem diminuído, sobretudo porque outras fontes de energia apresentam aumentos mais expressivos.

Segundo a DGEG, que neste balanço energético converte todas as fontes para uma unidade comparável, Toneladas equivalentes de petróleo (tEP), «o consumo de energia final em 2018 aumentou cerca de 1,4% relativamente a 2017», mas os maiores aumentos vieram do consumo de combustível de aviação (que cresceu 6,5%) e do consumo de combustíveis nos transportes marítimos internacionais (+4,1%). Ou seja, a maior fatia do consumo de energia final em Portugal continuou em 2018 a vir do petróleo (mais de 46%), seguido da energia eléctrica, gás natural, calor, biomassa e outros tipos de energia.

No ano passado, a dependência energética do exterior foi de 77,9%, ligeiramente abaixo dos 79,7%. Mas está significativamente acima do mínimo histórico de 72,4% registado em 2014. Há uma década, a dependência energética do exterior era de 81%.

Recorde-se que, o Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC), apresentado no início do ano pelo Governo, tem como objectivo que em 2030 Portugal tenha 80% da sua electricidade proveniente de fontes limpas, como reafirmou esta segunda-feira, no âmbito da cimeira do clima, em Madrid, o primeiro-ministro António Costa. Os restantes 20% virão de centrais alimentadas a gás. Para 2050 a meta é ainda mais ambiciosa: 100% de energia limpa na electricidade e 90% nos transportes. Contudo, tornar mais limpa a produção de electricidade só resulta se uma fatia crescente do consumo de energia do país vier da electricidade.

Artigos relacionados
Comentários
Loading...

Multipublicações

Marketeer
Guerra do streaming: consumidores dão oportunidade aos novos players
Automonitor
As ideias (brilhantes) da Skoda