Pescadores irlandeses não se conformam e vão ‘enfrentar’ pacificamente a marinha militar da Rússia

Protesto pela realização de exercícios militares russos na zona económica exclusiva da Irlanda

Francisco Laranjeira

Os barcos de pesca irlandeses querem interromper pacificamente os exercícios militares planeados pela marinha russa na costa da Irlanda, revelou esta terça-feira Patrick Murphy, chefe-executivo da Organização de Produtores de Peixes do Sul e Oeste da Irlanda. Os exercícios militares devem decorrer em águas internacionais a 240 quilómetros da costa sudoeste da Irlanda em fevereiro mas os pescadores não estão de acordo, alegando que os exercícios ameaçam uma área crucial para a vida marinha duma importante região de pesca.

O embaixador russo na Irlanda, Yuri Filatov, já garantiu que será “um pequeno exercício – talvez três ou quatro navios, não mais”, mas os pescadores não se mostraram impressionados. “Este é o sustento de pescadores e famílias de pescadores em todo o litoral”, revelou Patrick Murphy. “Queremos agir. Não vamos enfrentar os barcos, não vamos levá-los por esse caminho. Mas queremos marcar uma posição aqui e queremos que o Governo faça algo por nós”, apontou.

Segundo Patrick Murphy, há cerca de 500 milhões de toneladas de verdinho na área onde vão decorrer os exercícios militares russos e os pescadores temem que os choques sísmicos que possam ser criados pelos mísseis disparados podem alterar o padrão de migração do atum durante alguns anos.

“Os nossos barcos vão para aquela zona a 1 de fevereiro para pescar”, revelou Murphy. “Quando um barco regressar ao porto, sai outro para que haja uma presença contínua naquelas águas. Se estivermos próximos de onde o exercício estiver a acontecer, esperamos que os serviços navais russos cumpram os regulamentos anticolisão”, referiu.

Na última segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores da Irlanda, Simon Coveney, frisou que os planos militares da Rússia não eram bem-vindos”. Os exercícios no início do próximo mês serão realizados em águas internacionais – mas dentro do espaço aéreo e da zona económica exclusiva da Irlanda.

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