As comissões de peritos independentes que analisaram as reclamações de mais de três mil lesados do Banco Espírito Santo (BES) e do Banif afirmaram, esta segunda-feira, que detectaram indícios de práticas ilícitas na venda de produtos financeiros por parte de antigos funcionários daqueles bancos.
Em causa, estão os lesados não qualificados das sucursais exteriores do BES, sobretudo da Venezuela e África do Sul, os clientes do Banque Privée e os do Banif. Ao todo, eram cerca de 3.500 clientes neste universo, de acordo com o “Jornal de Negócios”.
As duas comissões receberam, em conjunto, 3.191 reclamações, sendo que cada lesado apresentou, por vezes, reclamações relativas a vários produtos. Assim, foram submetidos 4.540 pedidos. Contudo, vários acabaram por ser excluídos desta análise, a ser feita desde Abril, por não cumprirem os critérios de elegibilidade ou por terem sido apresentados fora do prazo. Contas feitas, os peritos consideraram elegíveis, para já, pedidos que perfazem um total de cerca de 230 milhões de euros reclamados no caso do Banif e outros 296 milhões no caso do BES. E estes valores poderão vir a aumentar, uma vez que há pedidos que ainda não foram excluídos, mas que estão pendentes, por não ter sido encontrada informação suficiente sobre os produtos em causa.
As reclamações no Banif poderão chegar aos 251 milhões e as do BES podem ascender a 395,7 milhões. Assim, poderão vir a ser considerados elegíveis para integrarem o fundo de recuperação de créditos, ainda por por constituir (não sendo ainda conhecido se haverá recuperação parcial ou total destes investimentos), pedidos que ultrapassam os 646 milhões de euros.
Agora, a tarefa passa as mãos das entidades que representam os lesados (a Associação de Defesa dos Clientes Bancários, a Associação de Lesados Emigrantes da Venezuela e África do Sul e a ALBOA, que representa os investidores do Banif) e que irão reunir com o Ministério das Finanças e com a sociedade que irá gerir o futuro fundo de recuperação de créditos, que já está escolhida, mas cuja identidade não foi revelada.







