Peritos chumbam ventilador que 100 mil portugueses financiaram

O grupo de peritos criado especificamente para avaliar os ventiladores pulmonares no âmbito da covid-19 chumbou o projecto de ventilador mais mediático do país nesta pandemia: O Atena.

Revista de Imprensa

O grupo de peritos criado especificamente para avaliar os ventiladores pulmonares no âmbito da covid-19 chumbou o projecto de ventilador mais mediático do país nesta pandemia. O Atena recebeu doações, foi visitado por membros do Governo, teve uma campanha de crowdfunding na televisão, mas não passou no crivo de sete dos dez peritos, que analisaram as componentes clínica e de engenharia do ventilador, avança hoje o jornal ‘Público’.

Os especialistas consideraram que a ideia de base deste projecto é boa, mas que ainda necessita de evoluir, para se tornar uma tecnologia de saúde madura, e concluíram que ainda não se encontra em condições de ir para o mercado tal como está.

Por unanimidade, os sete peritos deram então um parecer negativo à entrada em serviço do ventilador invasivo Atena – Modelo V1 (versão 1), considerando que terá de ser melhorado. Os especialistas consideraram, segundo a documentação apresentada pelo CEiiA sobre os testes realizados ao ventilador, que havia uma incapacidade de regulação exacta e precisa da “pressão positiva no final da expiração” (ou PEEP) na via área.

A partir dos relatórios dos peritos que chumbaram o uso da versão 1 do Atena, o conselho directivo do Infarmed tomou a decisão, a 29 de Junho, de lhe dar uma “autorização excepcional condicionada”. No entanto, essa autorização coloca tantas condicionantes ao uso do ventilador que, em termos práticos, dificulta, senão mesmo impossibilita, a sua aplicação a algum doente.

Contactados pelo ‘Público’, os responsáveis da CEiiA dizem que, para ultrapassar as condicionantes do Infarmed relativas à pressão constante e à pressão assistida, a primeira versão do Atena vai ser submetida a mais testes.

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O presidente executivo do CEiiA defende-se: “À data, a segurança e eficácia do ventilador está provada e continuará a ser demonstrada através dos ensaios em curso. O objectivo de ter ventiladores disponíveis no curto período de tempo (três meses), caso a situação fosse crítica está conseguido.”

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