A crescente popularidade de produtos de beleza impulsionada pelas redes sociais levou a um aumento significativo na procura de cosméticos e perfumes de gama alta, muitas vezes com preços elevados. Perante o custo destes produtos, muitos consumidores têm recorrido a alternativas mais baratas, conhecidas como perfumes “dupe”, amplamente vendidos em plataformas online.
Este fenómeno não se limita ao universo dos cuidados de pele, mas estende-se também às fragrâncias, que são frequentemente associadas não apenas à estética, mas também à autoestima, às relações sociais e até ao desempenho profissional. Estudos indicam que o aroma pessoal influencia a forma como os outros nos percebem e pode ter impacto direto no estado emocional, devido à ligação entre o olfato e o sistema nervoso, responsável pela libertação de endorfinas.
No entanto, a expansão destes perfumes de imitação está a levantar sérias preocupações entre especialistas e entidades de controlo. De acordo com vários alertas do setor, alguns destes produtos falsificados podem conter substâncias potencialmente perigosas, incluindo urina de cavalo, metanol, ftalatos, solventes industriais e até anticongelante.
Estas substâncias, para além de desagradáveis, podem representar riscos reais para a saúde, sobretudo quando aplicadas diretamente na pele. Os especialistas sublinham que o problema não está apenas na imitação em si, mas na ausência total de controlo sobre a sua composição.
A principal diferença entre os perfumes originais ou imitações legais e estes produtos “dupe” reside precisamente na falta de regulação. Como explica o perfumista Noor Khan, cofundador da comunidade de fragrâncias Juice, citado pelo The Independent, “não há controlo de qualidade nem rastreabilidade dos ingredientes”. Isto significa que o consumidor pode estar a utilizar uma mistura cujo conteúdo real é desconhecido.
As autoridades e especialistas identificam ainda sinais comuns associados a possíveis falsificações, como preços demasiado baixos, vendedores sem identificação de marca, embalagens com defeitos ou erros ortográficos, e produtos apresentados como “tester” ou “sem caixa” com descontos excessivos.
Apesar da forte atração por preços mais acessíveis, os especialistas alertam que a escolha de um perfume não deve ignorar a sua composição e origem, sobretudo quando pode afetar a saúde. Embora o uso de fragrâncias esteja associado a benefícios emocionais e sociais, a segurança deve ser sempre uma prioridade.
Ainda assim, existem alternativas consideradas seguras no mercado. Algumas marcas têm desenvolvido perfumes mais acessíveis sem comprometer os padrões de qualidade, e existem também empresas especializadas em fragrâncias inspiradas que seguem normas e controlos sanitários rigorosos.
Os especialistas recomendam que os consumidores optem sempre por distribuidores autorizados ou pela compra direta às marcas, garantindo assim a autenticidade do produto e reduzindo o risco de exposição a substâncias potencialmente perigosas.



