Numa era de revolução tecnológica, as empresas e os seus líderes deparam-se com obstáculos cada vez mais desafiantes no que diz respeito à segurança das organizações.
Combinar recursos humanos com experiência e conhecimento, meios tecnológicos operados e dados recolhidos e transformados em insights para uma melhor e proactiva gestão operacional, é uma das propostas para as empresas se destacarem no mercado.
A Executive Digest falou com Gonçalo Morgado, Diretor-Geral da Prosegur Security, por forma a conhecer o mais recente projeto do centro de operações de segurança inteligente e perceber os desafios de segurança para as organizações.
Em que consiste o projeto do iSOC (centro de operações de segurança inteligente) da Prosegur e quais os objetivos a atingir?
O iSOC de Lisboa foi o primeiro Centro de Operações de Segurança Inteligente da Prosegur na Europa. Este centro de última geração integra tecnologia de ponta (como por exemplo IoT, IA, assistentes virtuais e automatização robótica de processos), processamento inteligente de dados e excelência profissional.
O iSOC atua como o cérebro do modelo de segurança híbrida da Prosegur. A nossa proposta baseia-se no empoderamento dos nossos especialistas através de tecnologias inteligentes e gestão de dados em tempo real. Desta forma, conseguimos a combinação perfeita entre recursos humanos com experiência e conhecimento, meios tecnológicos operados e dados recolhidos e transformados em insights para uma melhor e proactiva gestão operacional.
Esta instalação contou com um investimento de mais de um milhão de euros e criará 100 novos postos de trabalho em Portugal, adicionais aos já existentes. Neste momento, supervisiona 3.500 instalações de clientes, monitorizando mais de 4 milhões de alarmes por ano e levando a cabo mais de 50 mil rondas virtuais.
As empresas portuguesas dão uma grande importância às questões de cibersegurança?
Cada vez mais, os riscos e ameaças para as empresas apresentam um carácter híbrido, expondo uma convergência extrema entre o mundo físico e o digital. A complexidade do mundo atual exige que estejamos informados e tenhamos uma visão holística da segurança, a fim de antecipar e mitigar riscos.
Desta forma, a cibersegurança torna-se uma disciplina crucial e um fator intrínseco da nossa atividade, desempenhando um papel fundamental na salvaguarda de informação e na garantia de continuidade dos serviços que prestamos aos nossos clientes de uma forma transversal.
As novas tecnologias na área da segurança exigem um novo perfil de liderança?
Sem dúvida. O perfil da liderança de processos e operações é fundamental para garantir que soluções adequadas são aplicadas na mitigação de riscos e ameaças. Neste sentido, um líder na área das tecnologias de segurança tem de ser apto não só nas áreas de gestão de recursos e processos, mas também nas áreas das comunicações, cibersegurança, redes, sistemas de deteção de intrusão, sistemas de deteção de incêndio, sistemas de CCTV, plataformas de integração, sensores e sistemas IoT, business intelligence, planeamento e execução de obras, entre muitas outras valências e conhecimentos.
Cumulativamente, vivemos um paradigma organizacional onde cada vez mais são necessários especialistas na operação e implementação de soluções, mas onde é fundamental ter uma visão abrangente associada à gestão de cada projeto, nomeadamente no que concerne às fronteiras entre cada área e/ou especialidade. Neste sentido, um novo perfil organizacional deve ser considerado. Este novo perfil de liderança deve ser capaz de maximizar o resultado com um foco total na excelência operacional do projeto e na satisfação do cliente.
Esta é a razão pela qual a Prosegur tem reforçado de forma significativa o investimento na formação dos seus colaboradores, dotando-os das ferramentas necessárias para ultrapassar com êxito este paradigma.
Quais as novas tendências no que respeita às soluções de segurança para as empresas?
De uma forma geral, as tendências passam pela aplicação de modelos operacionais e sistemas que promovam a automatização da geração e gestão da informação em tempo real, promovendo uma maior eficiência no processo de gestão operacional e garantindo maior fiabilidade nas decisões conjuntas de mitigação dos riscos com os nossos clientes.
Atualmente, a segurança não é simplesmente uma camada superficial que circunda o negócio, mas sim um fator chave com um alcance tremendo no seu core, disponibilizando informação crítica para garantir a continuidade e resiliência das operações de negócio que, de outra forma, seria difícil de obter.
Desta forma, as empresas têm vindo a deixar de procurar serviços de vigilância e passaram a dar mais importância e relevância a soluções integradas de segurança, com uma combinação de serviços presenciais, remotos, tecnologia e informação.
No nosso caso, o sucesso na implementação deste modelo está na forma customizada como o mesmo é desenhado, implementado e gerido, bem como na fiabilidade da informação que proporcionamos aos nossos clientes.
Quais as principais dicas que deixa aos líderes das empresas para ajudar a implementar e promover a segurança nas suas organizações?
A segurança evoluiu muito nas últimas décadas. A emergência de riscos cada vez mais híbridos leva a que os modelos tradicionais já não sirvam os propósitos e necessidades atuais. Como mencionei antes, a complexidade do mundo atual exige que se tenha uma visão holística da segurança, a fim de antecipar e mitigar riscos e garantir a continuidade dos negócios.
Neste sentido, podemos dizer que esta evolução no setor da segurança privada, em particular em Portugal, está a ser alavancada pela adesão a esta tomada de consciência por parte dos grandes decisores do mercado, que procuram – já há algum tempo – novos modelos de segurança mais eficientes, resilientes, ciberseguros e fiáveis. Esta é uma tendência imparável, que vai acabar por se alastrar aos restantes decisores.
Potenciar a transformação digital no nosso setor, inicialmente, poderia levar a crer que se iria prescindir de pessoas e implementar máquinas e sistemas. Este conceito não poderia estar mais longe da verdade. O que a nossa experiência demonstra é que o sucesso está, cada vez mais, na capacitação das pessoas através da tecnologia e na capacidade de dar visibilidade à nossa atividade e aos seus outputs em tempo real.
Hoje, devemos abordar a segurança como um serviço crítico para o negócio, um serviço fiável, resiliente e em contacto permanente com o cliente. A segurança atual deve dar resposta aos problemas dos clientes de uma forma individualizada, altamente customizável, sensível aos fatores económicos e com informação em tempo real.
Esta é uma transformação à qual, estou certo, nenhum negócio vai querer ser o último a aderir.














