Os Estados Unidos estão numa “nova era nuclear” e estão prontos para mudar a sua abordagem para lidar com as ameaças nucleares da Rússia e da China, revelou recentemente o Pentágono, que assinalou que será adotada “uma abordagem mais competitiva” diante da possibilidade de a Rússia colocar uma arma nuclear no espaço e do crescimento da força nuclear chinesa, indicou o secretário Adjunto interino de Defesa para a Política Espacial, Vipin Narang.
De acordo com o responsável do Pentágono, as preocupações expandem-se à Coreia do Norte que, apesar de “ainda não ser um país com poder nuclear, continua a expandir, diversificar e melhorar as suas capacidades nucleares, de mísseis balísticos e não nucleares” – além disso, há uma crescente “parceria estratégica entre a China e a Rússia”.
Segundo Narang, em breve poderá ser necessário aumentar as forças mobilizas e, sob determinadas circunstâncias, até mesmo abandonar um tratado internacional: o especialista discursou num think tank do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington DC, na passada quinta-feira, e entre o público estavam autoridades de Defesa, especialistas políticos e representantes de diversas nações aliadas, que ouviram Narang detalhar as ameaças que enfrenta o mundo e delinear “os três pilares” da nova abordagem competitiva americana.
Rússia
“Soubemos que a Rússia está a desenvolver um novo satélite projetado para transportar uma arma nuclear em órbita — uma capacidade antissatélite que, se detonada, poderia destruir uma órbita inteira de ativos cruciais não apenas para os Estados Unidos, mas para o mundo inteiro”, indicou o especialista.
“Todos nós deveríamos estar preocupados com a perspetiva de a Rússia colocar uma arma nuclear no espaço, representando uma ameaça aos satélites operados por países e empresas ao redor do mundo, bem como aos serviços vitais de comunicação, científicos, meteorológicos, agrícolas, comerciais e de segurança nacional dos quais todos dependemos.”
Narang referiu ainda a China e a descoberta em 2021 de centenas de novos silos de mísseis balísticos intercontinentais em construção no oeste da China e a aceleração da sua expansão nuclear, que deverá deixar Pequim com mais de mil ogivas operacionais até 2030. “Essa expansão está a ser literalmente alimentada pela Rússia, já que Moscovo fornece à China combustível de urânio altamente enriquecido para reatores, o que dá suporte à produção de plutónio para armas.”
“O crescimento e a diversificação da força nuclear chinesa — algo que não previmos nem contabilizámos quando elaborámos o programa de modernização nuclear há mais de uma década — será uma característica definidora desta nova era nuclear”, relatou Narang.
Coreia do Norte
O responsável do Pentágono disse que os EUA “não podem adormecer sobre a Coreia do Norte” e o crescimento do seu programa de armas, especialmente considerando a sua parceria com a Rússia, que acredita “ilustrar a possibilidade real de colaboração e até mesmo conluio entre os nossos adversários com armas nucleares”.
A nova abordagem é baseada primeiramente no princípio de implementar “um moderno meio de dissuasão nuclear”, para contrariar “ataques estratégicos, dar segurança aos nossos aliados e parceiros e atingir os nossos objetivos se a dissuasão falhar”.
O segundo pilar é “fortalecer a nossa rede de aliados e parceiros e os nossos esforços de dissuasão estendidos na NATO e no Indo-Pacífico” – terceiro, Nagang pediu mais investimento na próxima geração de talentos e líderes “para orientar o nosso pensamento estratégico e moldar a nossa infraestrutura e capacidades futuras”.
Terceiro, Narang pediu mais investimento na próxima geração de talentos e líderes “para orientar nosso pensamento estratégico e moldar nossa infraestrutura e capacidades futuras nesta era de competição”.
Futuro do Tratado Nuclear EUA-Rússia
Vipin Narang também falou sobre o novo tratado START, um acordo de redução de armas nucleares entre os EUA e a Rússia assinado em 2010, que limita ambos os países a 1.550 ogivas nucleares e 700 mísseis e bombardeiros. O especialista sugeriu abandonar o tratado se a Rússia não o cumprisse.
“Também respeitaremos os limites centrais do New START durante a vigência do tratado, enquanto avaliarmos que a Rússia continua a fazê-lo. Mas num mundo incerto, preservar a opção de mudar o curso amanhã exige que tomemos as decisões e os investimentos necessários hoje”, apontou.













