Penalização por aborto: Governo “não faz censura” do trabalho dos técnicos, diz ministra

Segundo a responsável, o ministério que tutela “não faz censura dos trabalhos dos grupos técnicos” mas acompanha-os e “estimula-os”.

Simone Silva

A ministra da Saúde, Marta Temido, voltou a falar sobre a polémica proposta que previa penalizações para os médicos de família cujas doentes tivessem realizado uma interrupção voluntária da gravidez, sublinhando que não há censura.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

“Sempre dissemos que não estava em causa o direito das mulheres”, assegurou esta quinta-feira em declarações aos jornalistas, durante uma visita ao Hospital de Santa Maria.

Já no parlamento, a governante frisou que não estava em causa “uma tentativa qualquer de culpabilizar ou estigmatizar as mulheres”. Agora, acrescenta que o ministério que tutela “não faz censura dos trabalhos dos grupos técnicos” mas acompanha-os e “estimula-os”.

“Mas tem também a obrigação de acompanhar com outra leitura, que é uma leitura política da nossa realidade, e de conduzir o trabalho não só para que ele reflita escolhas técnicas corretas como o sentir geral da população”, afirmou Temido.

Segundo a responsável, os direitos das mulheres nunca estiveram em causa, o que houve foi um “adaptar do indicador para permitir responder àquilo que efetivamente se pretendia”, explicou.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

Em causa está uma notícia avançada pelo jornal ‘Público’, que dava conta que os médicos de família, assim como os restantes elementos das equipas, podiam vir a ser avaliados por interrupções voluntárias da gravidez (IVG) realizadas pelas utentes da sua lista e pela existência de doenças sexualmente transmissíveis(DST) nas mulheres.

Isto deve-se a uma eventual introdução de novos critérios de avaliação nas USF-B “nas atividades especificas, que é uma componente que permite às equipas receber, de acordo com o cumprimento de metas, um valor adicional ao ordenado-base”.

Os novos critérios foram propostos pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), validados pela Direção-Geral da Saúde (DGS), e o Grupo de Apoio às Políticas de Saúde na área dos cuidados de saúde primários, e foram enviados ao Ministério da Saúde no ano passado, que ainda está a analisar, referiu o jornal.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.