A CGTP vai realizar esta sexta-feira uma concentração, junto à Assembleia da República, no dia em que será aprovado o Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), dando assim início a um conjunto de lutas por todo o país, em junho.
Em declarações à Multinews, Ana Pires, da comissão executiva da CGTP, explicou em que consiste e quais os motivos da ação de hoje e de todas as outras que estão previstas para o próximo mês.
“Esta ação de luta nacional tem início esta sexta-feira, com uma concentração em frente à Assembleia da República, no dia em que há também a votação final do Orçamento de Estado”, começa por referir.
Segundo a responsável, “é precisamente este o mote, um vez que este é um Orçamento que não responde ao conjunto das necessidades dos trabalhadores”, disse apontando que também “a agenda para o trabalho digno e a legislação que lhe vai dar seguimento, que não respondem aos problemas estruturais identificados”.
“Vamos dar este pontapé de saída numa ação nacional hoje, pelo aumento dos salários, contra o aumento do custo de vida e o ataque aos direitos, porque nos últimos anos a conversa é sempre a mesma, mudam é os argumentos”, ou é a pandemia, ou a guerra, lamenta.
E neste cenário, sublinha, “temos os trabalhadores e famílias a passarem dias cada vez mais difíceis, com os salários e as pensões a cobrirem cada vez menos o mês e agora este brutal aumento do custo de vida por via da inflação, está a deixar a população numa situação muito difícil”.
“É preciso que aqueles que já tiveram salários cuja revisão tenha sido absorvida pela inflação tenham aumentos extraordinários; aumentar o salário mínimo nacional para os 800 euros em junho deste ano e subir as pensões e reformas, para repor o poder de compra num mínimo de 20 euros”, defende a dirigente.
Ana Pires explica que têm tido “um conjunto de greves, paralisações e concentrações de vários setores, porque não podemos continuar a ser os castigados, enquanto as grandes empresas e grupos económicos continuam a acumular lucros”.
“Precisamos de, com a luta, obrigar o patronato e o Governo a dar aos trabalhadores aquilo que é de direito”, aponta. “Não aceitamos migalhas, nem aceitamos continuar com este conversa do ‘poucochinho’. Aos trabalhadores é devido salários e condições de trabalho dignas e é isto que estamos a exigir”, acrescenta.
Greve geral “não está fora de equação”
Questionada sobre uma possível greve geral convocada pela CGTP, a par das ações e concentrações individuais, a responsável não descarta essa hipótese. “O que temos em cima da mesa é a multiplicação das lutas dos nossos setores, mas nada está fora de equação, a cada momento decidiremos o passo que temos que dar”, sublinha.
“Agora o grande apelo que temos feito aos trabalhadores é a ação nos locais de trabalho”, refere adiantando que para o próximo mês de junho, “temos já uma lista com significado”, que inclui “ações de todos os setores e por todo o país e um conjunto de greves previstas que comunicaremos em breve”.
Mas essencialmente, adiantou, “estamos a falar de plenários com saída à rua, concentrações de trabalhadores, greves e também depois poderá haver um conjunto de ações distritais, de convergência dos trabalhadores”.
“Terminaremos esta ação de luta nacional que começa hoje, na primeira semana de julho, em princípio, em data a definir com uma ação nacional que será em Lisboa. Mais detalhes ainda estamos a avaliar”, conclui.













