Pela primeira vez na história da Coreia do Sul: presidente em exercício é julgado em tribunal criminal. Yoon Suk-yeol enfrenta prisão perpétua

A audiência pré-julgamento de hoje no Tribunal Distrital Central de Seul marcará o início de um julgamento que pode durar até seis meses, contar com testemunhas importantes e levar à prisão perpétua

Francisco Laranjeira

Esta quinta-feira, pela primeira vez na história da Coreia do Sul, um presidente em exercício será julgado num tribunal de direito penal, dando início a outra batalha jurídica de alto nível contra o presidente suspenso Yoon Suk-yeol, que é acusado de liderar uma insurreição e abuso de poder.

A audiência pré-julgamento de hoje no Tribunal Distrital Central de Seul marcará o início de um julgamento que pode durar até seis meses, contar com testemunhas importantes e levar à prisão perpétua.

Ao contrário do julgamento de impeachment de Yoon Suk-yeol, que se concentra nas alegadas violações constitucionais, o julgamento criminal vai determinar se a sua imposição da lei marcial a 3 de dezembro último foi uma ação justificada ou uma tentativa de insurreição.

Embora os dois julgamentos sejam diferentes por natureza, os especialistas jurídicos acreditam que Yoon e os seus advogados argumentarão que a sua declaração de lei marcial não foi um ato de liderança de uma insurreição e provavelmente enquadrarão o julgamento em si como perseguição política.

Este julgamento criminal determinará o destino de Yoon, com alguns especialistas a prever uma sentença de prisão perpétua na decisão inicial devido à gravidade da acusação: liderar uma insurreição. O Criminal Act sustenta que os condenados por liderar uma insurreição enfrentam a pena de morte ou prisão perpétua, sendo que é improvável que Yoon receba a pena de morte, já quea sua declaração de lei marcial não resultou em mortes ou ferimentos, ao contrário de casos anteriores que resultaram em graves violações de direitos humanos.

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“Ao contrário do ex-presidente Chun Doo-hwan, que foi responsável pelo massacre de Gwangju em 1980, que deixou pelo menos 160 mortos, a declaração de lei marcial de Yoon não causou ferimentos ou mortes significativas. Espero que o tribunal o condene à prisão perpétua em vez da pena de morte”, apontou Noh Hee-bum, antigo juiz do Tribunal Constitucional.

Yoon surpreendeu o país em 3 de dezembro ao declarar lei marcial, uma medida que fez lembrar os dias negros da ditadura militar sul-coreana e que justificou com a intenção de proteger o país das “forças comunistas norte-coreanas” e de “eliminar elementos hostis ao Estado”.

No entanto, a Assembleia Nacional (parlamento) frustrou os planos presidenciais ao votar a favor do levantamento do estado de emergência.

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Pressionado pelos deputados e por milhares de manifestantes pró-democracia, Yoon foi obrigado a revogar a decisão.

A 3 de janeiro, os serviços de segurança presidencial, responsáveis pela proteção do chefe de Estado, bloquearam uma primeira tentativa do COI de executar o mandado de detenção. Na segunda incursão, as autoridades avisaram que deteriam qualquer pessoa que impedisse a detenção. Yoon está preso num centro de detenção desde meados de janeiro.

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