A destruição do gasoduto Nord Stream tornou-se não só um dos maiores mistérios ao redor da guerra na Ucrânia, mas também um ferida que desperta suscetibilidades e toca os nervos diplomáticos: depois de ter sido emitido um mandado de prisão para o principal suspeito, que desapareceu na Polónia, e vários órgãos de comunicação americanos, assim como o antigo chefe dos serviços secretos alemães, August Hanning, terem acusado Varsóvia de ser co-organizador da sabotagem, o primeiro-ministro polaco não só não negou a acusação, mas também emitiu uma mensagem desafiadora e indiretamente incriminatória.
“A todos os iniciadores e patrocinadores do Nord Stream 1 e 2: a única coisa que precisam fazer agora é pedir desculpas e permanecer em silêncio”, referiu Donald Tusk, numa publicação na rede social ‘X’.
To all the initiators and patrons of Nord Stream 1 and 2. The only thing you should do today about it is apologise and keep quiet.
— Donald Tusk (@donaldtusk) August 17, 2024
A mensagem foi entendida como uma ameaça para aqueles que já participaram na construção da maior infraestrutura de gás da Europa: entre os mencionados estão o Governo alemão e as empresas austríacas OMV, a britânica Shell, a francesa Engie e as alemãs Uniper e Wintershall, que financiaram metade da construção juntamente com a russa Gazprom, refere a publicação espanhola ‘ABC’.
A Polónia sempre rejeitou o projeto do gasoduto Nord Stream 2, considerando que aumentava a dependência geoestratégica alemã em relação à Rússia. O anterior Governo polaco, do partido Lei e Justiça (PiS), mostrou abertamente a sua resistência e frustração pelo facto de a primeira fase do projeto, Nord Stream 1, ter sido seguida pelo Nord Stream 2, que nunca entrou em serviço. Donald Tusk distanciou-se tanto deste descontentamento que o atual líder da oposição, Jaroslaw Kaczynski, literalmente se referiu a ele como um “agente alemão”.
No entanto, depois de terem surgido as primeiras acusações contra o presidente da Polónia, Andrzej Duda, que sugeriam que este tinha sido informado do plano de sabotagem ucraniano, não há uma negação oficial, mas sim uma mensagem breve e enigmática.
A questão ameaça dividir os aliados. Há também compensações em jogo: se for comprovada a participação de serviços de inteligência estrangeiros, a Alemanha poderá reclamar danos contra uma infraestrutura avaliada em cerca de 12 mil milhões de dólares. A Gazprom, com 51% das ações, tem tentado desde fevereiro receber o dinheiro do seguro, cerca de 400 milhões de dólares, e defender-se contra reivindicações financeiras de empresas ocidentais. O seguro não cobre “perdas ou danos decorrentes direta ou indiretamente de guerra (declarada ou não), invasão, ações de inimigos estrangeiros (…)”, segundo o comunicado do consórcio de seguros britânico ‘Lloyds and Arch Insurance Group’, arquivado no Supremo Tribunal de Londres. O veredicto ainda não foi emitido.













