Paz na Ucrânia mais longe? Putin garante que a Rússia tomará o Donbass e sublinha que não recua nos objetivos de guerra

Vladimir Putin declarou que a Rússia irá controlar o Donbass e outras regiões no sul e no leste da Ucrânia, afirmando que isso acontecerá “por via militar ou com a retirada das forças ucranianas”.

Pedro Zagacho Gonçalves

Vladimir Putin declarou que a Rússia irá controlar o Donbass e outras regiões no sul e no leste da Ucrânia, afirmando que isso acontecerá “por via militar ou com a retirada das forças ucranianas”. A mensagem foi transmitida numa entrevista ao canal India Today, divulgada esta quinta-feira, momentos antes de partir para Nova Deli, onde tem previsto um encontro com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

A declaração surge num momento em que responsáveis norte-americanos tentam reiniciar negociações de paz, mas, segundo Putin, não há qualquer abertura para recuar nas metas consideradas essenciais por Moscovo. “Ou libertamos estes territórios pela força das armas, ou as tropas ucranianas abandonam estas zonas e deixam de combater”, afirmou o presidente russo, elevando o tom num contexto diplomático cada vez mais tenso.

Kremlin mantém ambição total sobre o Donbass
De acordo com mapas de fonte aberta, as forças russas controlam atualmente cerca de 80% do Donbass, que integra as regiões de Donetsk e Luhansk. Moscovo reivindicou ainda esta semana a captura de Pokrovsk, uma cidade estratégica cuja perda é contestada por Kiev, que rejeita a versão russa.

O Donbass é também um dos pontos centrais do plano de 28 propostas avançado pela equipa do Presidente dos EUA, Donald Trump, documento que provocou críticas na Ucrânia e em várias capitais europeias por ser considerado excessivamente favorável à Rússia. Uma versão revista desse plano suavizou algumas das posições mais contestadas, mas não alterou substancialmente a perceção de desequilíbrio.

As últimas negociações desta semana, que envolveram os representantes norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, na quarta-feira, não produziram resultados. Em vez disso, o Kremlin responsabilizou a Europa pelo falhanço dos esforços diplomáticos, acusando líderes europeus de bloquearem qualquer aproximação possível.

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O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reiterou repetidamente que a Ucrânia não aceitará abrir mão do Donbass numa eventual trégua, sublinhando que tal concessão daria a Putin “uma plataforma para uma futura invasão”. Para Kiev, qualquer cessar-fogo que inclua perdas territoriais é visto como insustentável e perigoso para a segurança a longo prazo do país.

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