O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que as propostas negociadas com responsáveis americanos para pôr fim à guerra com a Rússia poderão ficar concluídas “em poucos dias”. Segundo Zelensky, a minuta do plano de paz discutida durante as conversações em Berlim é “muito viável” e, uma vez finalizada, será apresentada ao Kremlin por enviados dos Estados Unidos, antes de eventuais novas reuniões em solo americano já no próximo fim de semana, indicou o jornal espanhol ‘El Mundo’.
Os esforços diplomáticos liderados por Washington parecem estar a ganhar tração. Fontes americanas indicaram que existe consenso entre a Ucrânia e a Europa em cerca de 90% dos pontos do plano de paz. O presidente dos EUA, Donald Trump, reforçou esse clima de otimismo ao afirmar que “estamos mais perto do que nunca” de um acordo. Zelensky sublinhou que as negociações em Berlim representaram uma “demonstração de unidade” entre os Estados Unidos, a Europa e a Ucrânia, acrescentando que Kiev e Washington estão a preparar até cinco documentos ligados à arquitetura do acordo, vários deles centrados em garantias de segurança.
Apesar do avanço, persistem reservas quanto à posição de Moscovo. O presidente russo, Vladimir Putin, poderá rejeitar algumas das propostas apresentadas por Washington e Kiev, nomeadamente no que respeita às garantias de segurança para a Ucrânia no período pós-guerra. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reiterou que a Rússia pretende um acordo de paz abrangente e não uma simples trégua temporária, sublinhando que Moscovo não está interessada em “soluções momentâneas e insustentáveis”.
A questão territorial continua a ser o principal obstáculo a um entendimento global. Putin exige que todas as áreas ocupadas pelas forças russas em quatro regiões-chave, bem como a Crimeia, anexada ilegalmente em 2014, sejam reconhecidas como território russo. Zelensky, por sua vez, rejeitou qualquer reconhecimento do controlo de Moscovo sobre partes de Donbass. Embora os EUA tenham sugerido a criação de uma “zona económica livre” na região, o presidente ucraniano frisou que essa solução não implicaria a submissão à Federação Russa.
Zelensky advertiu ainda que, caso Putin recuse os esforços diplomáticos em curso, a Ucrânia espera uma intensificação da pressão ocidental sobre Moscovo, incluindo sanções mais duras e um reforço do apoio militar, com destaque para sistemas de defesa aérea modernizados e armamento de longo alcance.














