As negociações para o fim da guerra na Ucrânia estão a ganhar novo impulso, com sinais de que um possível acordo com a Rússia poderá estar mais próximo do que o esperado. A indicação foi dada por Kyrylo Budanov, um dos principais negociadores ucranianos, que revelou otimismo quanto à evolução do processo.
De acordo com a Bloomberg, Budanov afirmou que todas as partes envolvidas – Ucrânia, Estados Unidos e Rússia – reconhecem cada vez mais a necessidade de pôr fim ao conflito, que já entra no seu quinto ano.
O responsável ucraniano acredita que um entendimento poderá não demorar muito tempo, sublinhando que, apesar de ainda não existir uma decisão final, já há uma percepção clara dos limites aceitáveis para ambas as partes. Este progresso, diz, representa um avanço significativo nas negociações.
Ainda assim, Budanov reconhece que tanto Kiev como Moscovo continuam a defender posições maximalistas, o que dificulta um acordo imediato.
Apesar do otimismo do lado ucraniano, fontes próximas do Kremlin indicam que as negociações permanecem praticamente estagnadas, sobretudo devido a divergências em torno das garantias de segurança para a Ucrânia.
Essas mesmas fontes referem que qualquer resolução duradoura exigirá um entendimento mais amplo que inclua os Estados Unidos e a Europa, cujas lideranças ainda não estão alinhadas sobre a forma como o conflito deverá terminar.
Até ao momento, o principal resultado das negociações terá sido a clarificação de posições que continuam, em grande medida, incompatíveis.
Trégua da Páscoa abre janela para diplomacia
Entretanto, o presidente russo Vladimir Putin ordenou um cessar-fogo temporário entre os dias 11 e 12 de abril, por ocasião da Páscoa ortodoxa.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy afirmou que a Ucrânia irá responder de forma proporcional às ações russas, mantendo a possibilidade de uma trégua como instrumento para avançar nas negociações.
Também o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, defendeu que um cessar-fogo é o caminho certo para alcançar uma solução diplomática e pôr fim a uma guerra que, segundo afirmou, a Rússia não poderá vencer.
Entre os principais pontos de discórdia estão as questões territoriais e as garantias de segurança. A Rússia pretende que a Ucrânia abandone a região de Donetsk, incluindo áreas que Moscovo não controla totalmente. Já Kiev defende o congelamento do conflito nas atuais linhas da frente.
Outro tema central é o papel dos Estados Unidos. A Ucrânia procura garantias claras de apoio norte-americano para evitar futuras agressões. Budanov considera que a continuidade do envolvimento dos EUA nas negociações é um dos principais avanços alcançados até agora.
Pressões económicas aumentam urgência de acordo
O contexto económico está a aumentar a pressão sobre ambas as partes. A Ucrânia enfrenta dificuldades financeiras significativas e poderá ficar sem recursos dentro de dois meses, enquanto aguarda financiamento europeu no valor de 90 mil milhões de euros.
Por sua vez, a Rússia também sofre com sanções e elevados custos militares, embora o aumento dos preços do petróleo tenha proporcionado algum alívio temporário.
Budanov destacou ainda a capacidade de mobilização russa, estimando uma reserva de cerca de 23,5 milhões de pessoas, o que reforça a necessidade de uma solução negociada.
No final, o responsável resumiu o momento atual de forma clara: existem apenas duas opções – continuar a guerra ou avançar para a paz através das negociações.










