A Casa Branca rejeitou categoricamente a possibilidade de uma suspensão temporária das tarifas comerciais impostas a cerca de 160 países e territórios, incluindo a União Europeia, classificando como “fake news” os relatos que davam conta dessa intenção. A polémica surgiu após declarações de Kevin Hassett, diretor do Conselho Económico Nacional, que foram interpretadas como um sinal de que a Administração Trump estaria a ponderar uma pausa de 90 dias na aplicação das tarifas.
A confusão começou numa entrevista concedida por Hassett à CNBC. Quando questionado sobre a possibilidade de uma pausa nas tarifas, o conselheiro económico respondeu afirmativamente, sem prestar mais esclarecimentos. O momento foi rapidamente captado pelas agências noticiosas, incluindo a Reuters, e propagado como um sinal de abertura da Casa Branca a uma flexibilização da sua política comercial. No entanto, a resposta foi posteriormente desmentida pela própria Administração.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, tratou de repor a posição oficial. Em declarações ao jornalista Eamon Javers, da CNBC, Leavitt foi perentória: “Fake news”. A responsável negou que o Presidente Donald Trump estivesse a ponderar qualquer suspensão das tarifas, incluindo aquelas prestes a entrar em vigor contra países da União Europeia.
O próprio Trump reagiu nas redes sociais, partilhando um vídeo do canal Fox Business em que a apresentadora Maria Bartiromo reforçava a firmeza da Administração: “As taxas estão a cair, os preços do petróleo estão a cair, está a haver desregulação”, enumerava Bartiromo, antes de acrescentar: “O Presidente Trump não vai ceder”.
A confusão ocorre a menos de dois dias da entrada em vigor de novas tarifas recíprocas que elevarão para 20% as taxas aplicadas à União Europeia. Em Bruxelas, os 27 Estados-membros mantêm reuniões para discutir como responder às medidas norte-americanas, num momento de elevada tensão comercial.
As declarações de Hassett tiveram ainda um impacto imediato nos mercados financeiros, que reagiram com entusiasmo à possibilidade de uma pausa. Os principais índices bolsistas dos Estados Unidos — Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq — abriram em baixa, tal como nos dois dias anteriores, mas inverteram rapidamente a tendência e dispararam para território positivo após a divulgação da entrevista à CNBC.
No entanto, o otimismo durou apenas alguns minutos. Com o desmentido oficial da Casa Branca, os mercados voltaram a mergulhar, apagando os ganhos momentâneos. A instabilidade evidenciou o nervosismo dos investidores perante qualquer sinal de mudança na estratégia comercial norte-americana.














