Patrões do Minho defendem que empresas portuguesas devem reagir com estratégia às políticas protecionistas dos EUA

A Associação Empresarial do Minho (AEMinho) manifestou a sua posição sobre o impacto das recentes decisões políticas nos EUA, estabelecendo um paralelismo com a realidade económica europeia. Em resposta às medidas anunciadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, a AEMinho sublinha a necessidade de uma abordagem estratégica por parte das empresas europeias e portuguesas para mitigar eventuais efeitos negativos.

André Manuel Mendes

A Associação Empresarial do Minho (AEMinho) manifestou a sua posição sobre o impacto das recentes decisões políticas nos EUA, estabelecendo um paralelismo com a realidade económica europeia. Em resposta às medidas anunciadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, a AEMinho sublinha a necessidade de uma abordagem estratégica por parte das empresas europeias e portuguesas para mitigar eventuais efeitos negativos.

“É fundamental evitar posturas derrotistas e, sempre que possível, avaliar alternativas que permitam mitigar eventuais impactos negativos. Caso as medidas protecionistas sejam implementadas na escala anunciada, o tecido empresarial minhoto e português deverá demonstrar a resiliência e inteligência estratégica que historicamente o caracterizam, identificando soluções para ultrapassar os desafios impostos”, esclarece o Presidente da AEMinho, Ramiro Brito.

Uma das estratégias sugeridas para contornar a aplicação de taxas sobre transações provenientes de empresas europeias e portuguesas passa pela criação de empresas de direito americano. Esse modelo, já adotado em mercados com medidas protecionistas como Angola e Brasil, permitiria às empresas portuguesas manterem e até reforçarem a sua atividade comercial nos EUA.

A AEMinho também alerta para os entraves burocráticos que dificultam a competitividade europeia. “A excessiva burocracia e a rigidez dos processos administrativos impõem obstáculos consideráveis à atividade económica, tanto dentro do espaço europeu como no comércio externo. Esta problemática será apresentada e debatida numa iniciativa promovida pela AEMinho, que terá lugar no Parlamento Europeu, em Bruxelas, a 9 de abril, contando com a participação de membros da Comissão Europeia”, afirma Ramiro Brito.

Outro ponto crítico destacado pela AEMinho é a dificuldade de acesso aos fundos europeus e a falta de estímulo à inovação. “Tendencialmente, os Estados Unidos inovam, a China segue e escala, a Europa regula”, disse o Presidente da associação, ilustrando a posição periférica da Europa no panorama global da inovação.

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A evolução do setor dos veículos elétricos é um exemplo dessa disparidade: “Os Estados Unidos inventam um carro elétrico, a China multiplica a sua produção e a Europa entretém-se a criar regulamentação para que esse mesmo carro elétrico seja vendido e circule. Entretanto, a Europa burocratiza e regulamenta, os EUA lideram as vendas que disputam com a China enquanto a Europa está à margem”, critica Ramiro Brito.

Perante este cenário, a AEMinho enfatiza a necessidade de a Europa se concentrar no fortalecimento da sua competitividade global. “A criação de um ambiente económico mais dinâmico, ágil e propício à inovação é essencial para garantir que a Europa possa competir, em pé de igualdade, com os restantes blocos económicos mundiais”, reitera Ramiro Brito.

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