A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, rejeitou as críticas de Pedro Passos Coelho ao ritmo das reformas do atual Governo e afirmou que o Executivo de Luís Montenegro está a resolver problemas que permanecem por solucionar há cerca de 15 anos.
A resposta surge depois de o antigo primeiro-ministro ter escrito, no prefácio do livro “Portugal na Paz dos Bloqueios”, que o tempo disponível para o Governo avançar com reformas está “a esgotar-se”.
Em entrevista ao programa “Política com Assinatura”, da Antena 1, Maria da Graça Carvalho discordou da avaliação de Passos Coelho, defendendo que o Executivo está diariamente a resolver problemas que afetam os portugueses e que se arrastam há vários anos.
“Estamos a resolver imensos problemas que existiam há cerca de 15 anos”, afirmou a governante, segundo a RTP.
Questionada sobre se estava a referir-se ao período em que Pedro Passos Coelho era primeiro-ministro, Maria da Graça Carvalho admitiu que alguns desses problemas já existiam nessa altura, embora tenha alargado a responsabilidade a outros períodos políticos.
“Há muitos que estão lá. Não só dessa época, muitos impostos pela Troika e depois no Governo seguinte com apoios parlamentares que não deixavam ter a flexibilidade para resolver os problemas”, afirmou.
“Luís Montenegro é um grande primeiro-ministro”
A ministra insistiu que o atual Governo não está a perder tempo na concretização das suas políticas. “Não tem tempo para grandes discussões se estamos a perder tempo. Não estamos a perder tempo”, declarou.
Durante a entrevista, Maria da Graça Carvalho foi ainda questionada sobre se Passos Coelho faria atualmente melhor do que Luís Montenegro. A ministra recusou estabelecer uma comparação direta, mas deixou um elogio ao atual chefe do Governo.
“Não quero comparar. Só quero dizer que o Dr. Luís Montenegro é um grande primeiro-ministro”, respondeu, de acordo com a RTP.
A governante apontou como exemplo uma das reformas que o Executivo pretende concretizar na área das energias renováveis. Ainda assim, reconheceu as dificuldades enfrentadas pelo Governo de Passos Coelho e, em particular, pelo então ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva.
Maria da Graça Carvalho considerou que, se o antigo ministro “não fez mais”, tal aconteceu devido aos constrangimentos existentes na altura. “As pessoas governam de acordo com as circunstâncias que têm. Tiveram circunstâncias difíceis”, afirmou.
Fixar preços dos combustíveis “só em último caso”
Na mesma entrevista, a ministra abordou também a subida dos combustíveis e afastou, para já, uma intervenção direta nos preços. “O fixar preços é em último caso”, afirmou.
Maria da Graça Carvalho garantiu que o desconto no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) vai continuar. Segundo os valores apresentados pela governante, a medida já representou cerca de 700 milhões de euros e poderá atingir entre mil milhões e 1,3 mil milhões de euros até ao final do ano.
A ministra explicou ainda que o Governo optou por apoiar setores económicos, em vez de avançar com um apoio generalizado à população, por não querer incentivar o aumento do consumo de combustíveis fósseis. Segundo Maria da Graça Carvalho, apesar da subida dos preços, o consumo aumentou em Portugal e os dados de julho mostram que os portugueses “andaram mais de carro”.
Portugal vai investir 1,6 mil milhões na transição energética
Maria da Graça Carvalho revelou também que o Governo vai entregar este mês à Comissão Europeia uma proposta para o Fundo Social do Clima nacional. Portugal prevê investir 1,6 mil milhões de euros para apoiar as pessoas com maiores dificuldades em realizar a transição energética.
O programa deverá abranger intervenções nos edifícios, como substituição de janelas e melhoria do isolamento, aquisição de eletrodomésticos mais eficientes e alargamento dos apoios à compra de carros elétricos. Estão também previstos apoios a microempresas com dificuldades e à aquisição de transportes elétricos em territórios de baixa densidade ou periféricos.
A ministra destacou ainda um investimento de 440 milhões de euros através do Fundo de Modernização da União Europeia, com uma aposta particular nos transportes, setor que considera especialmente vulnerável à dependência dos combustíveis fósseis. Para Maria da Graça Carvalho, reduzir essa dependência energética é “essencial”.















