Passos Coelho ataca Governo, Rangel responde: “Está a ser injusto e desajustado”

Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros defendeu que é errado dizer que não há reformas em curso e classificou o atual Governo como “o mais reformista dos últimos 30 anos”

Revista de Imprensa

Paulo Rangel contestou as críticas de Pedro Passos Coelho ao Governo e considerou que o antigo primeiro-ministro está a ser “injusto e desajustado” na avaliação que faz da ação do Executivo. Em entrevista ao podcast Política com Assinatura, da ‘Antena 1’, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros defendeu que é errado dizer que não há reformas em curso e classificou o atual Governo como “o mais reformista dos últimos 30 anos”, depois dos executivos liderados por Cavaco Silva.

Para Rangel, a crítica de Passos Coelho não corresponde à realidade política e parlamentar do país. O ministro argumenta que as reformas estão a avançar, mas lembra que um Governo minoritário não consegue impor mudanças quando estas são travadas no Parlamento. “Há aí um juízo subjetivo”, afirmou, antes de acrescentar que a leitura do antigo líder do PSD é “desajustada”.

O ministro reagiu também às palavras de Passos Coelho proferidas ao lado de André Ventura, quando o antigo primeiro-ministro afirmou que “o que é autêntico e genuíno” acaba por se manifestar de forma mais eficaz do que aquilo que é “postiço”, acrescentando que o “postiço” fica “como um prostituto sem carácter”. Rangel disse estranhar “muito esse tipo de linguagem”, embora tenha procurado desvalorizar o episódio.

O chefe da diplomacia portuguesa garantiu respeitar Pedro Passos Coelho e afirmou acreditar que aquelas palavras não visavam diretamente o Governo nem qualquer membro do Executivo. Ainda assim, admitiu que a formulação não corresponde ao traço habitual do antigo primeiro-ministro e classificou a passagem como “menos feliz”.

A entrevista à ‘Antena 1’ abordou também a revisão constitucional, tema que Rangel voltou a remeter para a segunda metade da legislatura, “ou em 2027 ou a partir de 2027”. O ministro defendeu que a revisão “não é o alfa e o ómega da política portuguesa” e sublinhou que o PSD sempre disse que essa discussão não seria imediata.

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Rangel lembrou ainda que não existe uma maioria de dois terços garantida para alterar a Constituição e rejeitou leituras alarmistas sobre o tema. Em resposta ao deputado comunista António Filipe, que escreveu sobre uma alegada “golpada” envolvendo PSD, Chega e Aguiar-Branco, o ministro considerou tratar-se de um artigo político e ironizou que a Constituição “não pode ser lida como o Código de Processo Civil”.

No plano interno, Paulo Rangel defendeu que é do interesse do país haver um Governo de legislatura. Para isso, disse ser necessária abertura do Executivo, mas também responsabilidade dos partidos da oposição. O Orçamento do Estado para 2027 será um dos testes a essa estabilidade, com o ministro a admitir que um Governo minoritário tem de negociar.

Na política externa, o ministro apontou a prevenção de conflitos e a segurança alimentar como prioridades de Portugal enquanto membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas em 2027 e 2028. Rangel alertou para o risco de uma crise humanitária alimentar em África devido aos fertilizantes, falando da alimentação de “milhões e milhões” de pessoas.

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Sobre a guerra na Ucrânia, defendeu que a União Europeia deve manter diálogo com a Rússia para tentar alcançar uma paz sustentável, embora sem assumir o papel de intermediária. Já em relação à Base das Lajes, garantiu que Portugal pode recusar pedidos dos Estados Unidos, por estar previsto nos tratados, e defendeu que o protocolo bilateral deve ser revisto, por já terem passado cerca de 30 anos desde o acordo.

Rangel comentou ainda a suspensão da Guiné-Bissau da CPLP, afirmando que o país é um “membro imprescindível” da comunidade lusófona e mostrando expectativa de progressos na reunião ministerial marcada para julho. Sobre o Médio Oriente, disse ver com “muita apreensão” a escalada do conflito envolvendo Israel, Líbano e Irão, alertando para o potencial de agravamento regional.

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